07/02/2026
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Disney se distancia da classe média em 2025

A imagem mostra o arco de entrada do Walt Disney World, iluminado em meio a um céu nublado e escuro. O arco é decorado com o nome

Na manhã de quarta-feira, 23 de julho, Scarlett Cressel, uma motorista de ônibus escolar de 60 anos, se prepara para uma viagem à Disney World com sua filha, netos e mãe. Às 6h55, ela abre o aplicativo da Disney no celular com esperança de conseguir agendar as atrações para a visita da semana seguinte. Scarlett se dedicou ao planejamento dessa viagem durante anos, tendo pedido cartões-presente da Disney em aniversários e Natal, além de caçar descontos e parcelar a compra dos ingressos. Seu grupo vai se hospedar em um imóvel próximo ao parque, enquanto um amigo se encarrega de levar a bagagem de trem, evitando as taxas das companhias aéreas.

Contudo, Scarlett enfrenta uma desvantagem no sistema de reservas, que prioriza visitantes que podem pagar mais. Quem se hospeda em hotéis da Disney, compra passes especiais ou contrata guias tem mais chances de garantir acesso às atrações mais populares. Assim, Scarlett, que viaja com um orçamento limitado, está nas últimas posições em uma lista que oferece mais opções a quem tem mais dinheiro.

Os preços das acomodações e experiências na Disney estão preocupantemente altos. Por exemplo, uma suíte de luxo no Polynesian Village Resort custa cerca de US$ 3.000 por noite (aproximadamente R$ 16.700). O Geo-82 Bar and Lounge, no Epcot, oferece pacotes com champanhe e coquetéis por US$ 179 por pessoa (cerca de R$ 1.000), sem incluir o ingresso ao parque. Já um jantar no renomado restaurante Victoria & Albert’s pode custar mais de US$ 1.200 para duas pessoas, totalizando cerca de R$ 6.700.

Historicamente, a Disney sempre se esforçou para ser acessível a pessoas de diferentes classes sociais, acreditando que todos mereciam uma experiência VIP, independentemente do seu nível de renda. Entretanto, com o encolhimento da classe média e o aumento da concentração de riqueza, a Disney parece ter mudado seu foco. A empresa agora direciona suas ofertas para um público mais abastado, diferente do passado, quando visitantes de diferentes estratos sociais apreciavam as mesmas atrações.

A ascensão da tecnologia, como a internet e os aplicativos, contribuiu para essa transição. A Disney, assim como muitas outras empresas, começou a usar dados para entender e segmentar seu público. Essa mudança foi acentuada após a pandemia, quando a Disney eliminou o sistema de acesso gratuito às filas, introduzindo um sistema de pagamento para quem deseja evitar longas esperas.

Scarlett, que viajou para a Disney pela primeira vez em 1993 com sua avó, sente falta do sistema de FastPass, que permitia acessar as atrações com mais facilidade em suas visitas anteriores. O novo modelo de agendamento que enfrenta neste momento limita suas opções, e ela só consegue reservar uma atração de maior relevância para sua visita. Com uma renda conjunta de aproximadamente US$ 80 mil por ano (R$ 446 mil), ela gastou mais de US$ 2.300 (R$ 12.800) apenas em ingressos — um valor que supera o que a maioria das famílias americanas costuma gastar em viagens durante um ano.

Após alguns desafios com a tecnologia para agendar os horários, ela conseguir apenas um acesso em um horário menos ideal. Apesar das dificuldades financeiras, Scarlett mal consegue conter sua empolgação para mostrar a Disney aos netos pela primeira vez, algo que ela considera especial.

Historicamente, visitar a Disney não era uma experiência tão onerosa. Em 1955, um dia na Disneyland custava cerca de US$ 30, o que, na época, era acessível para muitos na crescente classe média. Com o tempo, os preços foram aumentando e, hoje, as opções disponíveis parecem criar um abismo entre os que podem gastar e os que não conseguem.

Nos últimos anos, a Disney tem buscado se adaptar às mudanças do mercado, oferecendo experiências diferenciadas, mas essa mudança de foco parece ter deixado muitas famílias para trás. Os dados revelam que a Disney ganhou cerca de US$ 724 milhões (R$ 4 bilhões) com produtos que priorizam o acesso às atrações nos últimos anos.

Apesar de todas essas mudanças e do custo elevado, Scarlett ainda se diverte com sua família na Disney. Ela menciona que certas tradições, como tirar fotos com os personagens, permanecem acessíveis, trazendo um pouco da magia que sempre encantou muitas gerações. Apesar de ter estimado que sua semana na Disney custou cerca de US$ 8.000 (R$ 44.500) — um valor significativo para a sua renda — ela já pensa em retornar, disposta a gastar ainda mais.

“O que eles dizem é verdade: toda magia tem um preço”, conclui ela.

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