18/03/2026
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Dor crônica pode elevar significativamente sua pressão arterial

Dor Crônica e Seus Efeitos na Pressão Alta

A dor crônica, que é aquela que persiste por mais de três meses, pode aumentar a probabilidade de desenvolver pressão alta. Esse risco é influenciado pela localização e pela intensidade da dor, além de fatores como depressão e inflamação.

Uma pesquisa feita nos Estados Unidos com mais de 200 mil adultos mostrou que pessoas com dor crônica em várias partes do corpo têm um risco maior de hipertensão. Aqueles que não relataram dor, ou que sentiram dor apenas por pouco tempo, estão em menor risco.

A autora da pesquisa, Jill Pell, doutora e professora de Saúde Pública na Universidade de Glasgow, explica que a dor crônica muitas vezes leva à depressão, e essa condição pode, por sua vez, aumentar o risco de pressão alta. A detecção e o tratamento da depressão em pessoas com dor podem ajudar a diminuir esse risco.

O Que É Pressão Alta e Seus Perigos?

Pressão alta, ou hipertensão, acontece quando o sangue exerce força excessiva nas paredes das artérias. Isso pode aumentar o risco de infarto ou derrame. Quase metade dos adultos nos Estados Unidos sofre com hipertensão, que é uma das principais causas de morte no mundo todo.

Estudos anteriores mostram que a dor musculoesquelética crônica, que inclui dores nos quadris, joelhos, costas e ombros, é a forma mais comum de dor a longo prazo. A nova pesquisa analisou como diferentes tipos e locais de dor podem estar relacionados ao desenvolvimento de pressão alta ao longo do tempo.

Inflamação e depressão são fatores conhecidos que contribuem para a pressão alta, mas até agora não havia pesquisas que analisassem como esses fatores poderiam explicar a ligação entre dor crônica e hipertensão.

Como os Pesquisadores Coletaram os Dados

Os participantes da pesquisa preencheram um questionário no início do estudo, relatando se sentiram dor no mês anterior e se isso afetou suas atividades diárias. Eles indicaram onde sentiam dor: cabeça, rosto, pescoço, costas, estômago, quadris, joelhos ou no corpo todo. Também foi perguntado se a dor durava mais de três meses.

Para avaliar a depressão, foi feito um questionário que questionava sobre humor deprimido, desinteresse e cansaço nos últimos 14 dias. A inflamação foi medida com exames de sangue, especificamente o teste para proteína C-reativa (PCR).

Principais Descobertas Após Acompanhamento de Longo Prazo

Após um acompanhamento médio de 13,5 anos, os resultados mostraram que:

  • Quase 10% dos participantes desenvolveram pressão alta.
  • Aqueles com dor crônica ampla tiveram um aumento de 75% no risco, comparados a pessoas sem dor. Já aqueles com dor crônica em um único local tiveram um risco 20% maior.
  • Entre os locais de dor, a dor crônica ampla está ligada a um risco 74% maior de pressão alta. Dores abdominais, de cabeça, pescoço, quadrilhos e costas também estão associadas a riscos maiores.
  • A depressão (11,3% dos participantes) e a inflamação (0,4% dos participantes) explicaram 11,7% da conexão entre dor crônica e pressão alta.

Pell destacou a importância de os profissionais de saúde reconhecê-los como grupo em risco e enfatizou a necessidade de tratamento precoce para dor e depressão.

Perspectiva de Especialistas sobre Dor, Inflamação e Hipertensão

Daniel W. Jones, doutor e especialista em hipertensão, comentou que a dor pode elevar a pressão arterial a curto prazo, mas era menos claro como isso acontecia a longo prazo. O estudo mostrou uma correlação entre a quantidade de locais de dor e o impacto na pressão arterial, mediado por inflamação e depressão.

Ele recomenda mais pesquisas para entender melhor como as estratégias de tratamento para dor podem afetar a pressão arterial. Jones também ressaltou que medicamentos anti-inflamatórios não esteroides, como ibuprofeno, podem aumentar a pressão arterial.

A gestão da dor deve considerar a pressão arterial dos pacientes, especialmente o uso de medicamentos que podem afetar negativamente a pressão.

Limitações do Estudo e Características dos Participantes

Os pesquisadores observaram que a população estudada era composta principalmente de adultos brancos, de meia idade ou mais velhos. Portanto, os resultados podem não se aplicar a grupos raciais ou étnicos diferentes, ou a pessoas mais jovens. Além disso, a dor foi relatada pelos próprios participantes, e o estudo se baseou em diagnósticos clínicos e em medições de pressão arterial.

Como o Estudo Foi Estruturado

Os detalhes do estudo são os seguintes:

  • A pesquisa utilizou dados do UK Biobank, que recrutou mais de 500 mil adultos entre 2006 e 2010. Os participantes eram residentes da Inglaterra, Escócia e País de Gales.
  • A amostra focou em 206.963 adultos, com média de idade de 54 anos. A maioria eram mulheres (61,7%) e brancos (96,7%).
  • Um total de 35,2% dos participantes relatou dor musculoesquelética crônica. A maioria dos participantes com dor tinham hábitos de vida menos saudáveis e viviam em áreas com mais desemprego.
  • Os pesquisadores levaram em consideração fatores que influenciam tanto a dor quanto a pressão alta, como tabagismo, consumo de álcool, atividade física, tempo sedentário e alimentação.
  • Os dados foram coletados por meio de questionários, entrevistas e exames físicos. Para diagnosticar a pressão alta, foram usados registros hospitalares e códigos de classificação de doenças.

O acompanhamento se deu desde a primeira avaliação até que ocorrêssemos eventos como diagnóstico de pressão alta ou morte do participante. Isso determinou o final do acompanhamento para cada pessoa.

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