04/02/2026
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dor de dente e gengiva vermelha: o que pode indicar?

Com o aumento do uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) e buscadores que as utilizam, profissionais da odontologia estão alertando sobre os riscos dessa tecnologia, principalmente quando pacientes tentam fazer diagnósticos por conta própria.

A popular ideia do “Dr. Google” já era problemática antes, de acordo com Eduardo Esberard Favilla, especialista em traumatologia bucomaxilofacial e vice-presidente do Conselho Federal de Odontologia. Com a implementação da IA, ele acredita que a situação se agravou, aumentando as preocupações dos profissionais de saúde.

Essas plataformas de busca tendem a generalizar diagnósticos e tratamentos baseados nas informações que o paciente fornece. Muitas vezes, o usuário não consegue descrever seu problema de forma precisa. Favilla destaca que, ao usarem essas ferramentas, os pacientes podem receber respostas sem serem orientados a procurar um especialista, o que pode atrasar o tratamento e agravar sua situação de saúde.

Dentistas do Conselho Federal de Odontologia, em um teste, fizeram perguntas diretas às plataformas, como “minha gengiva está vermelha e sangrando”. A resposta recomendada foi realizar bochechos e escovação suave, enquanto, em muitos casos, o que seria mais indicado é o oposto.

Em algumas situações, lesões podem ter características malignas. Favilla esclarece que, como esses casos são mais raros, a IA tende a fornecer respostas comuns, o que pode dar uma falsa sensação de segurança ao paciente. Muitas vezes, ele se sente tranquilo após ler uma resposta que minimiza o problema, sem saber que pode estar lidando com uma condição grave.

Marcelo Abla, membro da Câmara Técnica de Implantodontia do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo, afirma que a maneira como o paciente formula suas perguntas influencia a qualidade da resposta recebida. Ele alerta que os sistemas podem gerar respostas incorretas dependendo das informações fornecidas anteriormente.

Apesar de melhorias na precisão das respostas com o uso de IA, Favilla observa que ainda há limitações. Embora as ferramentas consigam filtrar informações com base em referências científicas, elas podem priorizar informações mais comuns, o que pode retardar diagnósticos importantes.

Nos consultórios, os dentistas raramente ouvem pacientes admitindo que recorreram a IAs para diagnósticos, mas notam um aumento no uso de jargões técnicos que não são comuns entre as pessoas. Isso indica que muitos estão buscando informações online antes de visitar um profissional.

Por outro lado, o uso de inteligência artificial por dentistas traz vantagens, como em pesquisas, planejamento digital e impressão em 3D, permitindo que muitos tratamentos que levariam dias sejam realizados em horas. Favilla ressalta que a IA não substitui o dentista, mas melhora a eficiência dos processos.

Ele reforça que somente profissionais qualificados podem realizar diagnósticos e indicar tratamentos adequados. “Nem o melhor dentista pode diagnosticar com certeza apenas ouvindo a descrição do paciente por telefone”, alerta ele.

Para Abla, a parte mais complexa do atendimento é chegar ao diagnóstico, algo que não pode ser feito por uma IA. Ele conclui dizendo que, embora a IA possa fornecer orientações em situações de urgência, essas devem ser complementadas sempre com uma consulta presencial com um dentista.

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