07/02/2026
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Dor de dente e gengiva vermelha: possíveis causas e cuidados

Com o avanço das ferramentas de inteligência artificial (IA), especialmente aquelas utilizadas para chats e buscas online, especialistas da odontologia estão alertando sobre os riscos dessa tecnologia, principalmente quando pacientes tentam autoprescrever diagnósticos.

Eduardo Esberard Favilla, especialista em traumatologia bucomaxilofacial e vice-presidente do Conselho Federal de Odontologia (CFO), destaca que os serviços de busca, como o Google, já eram problemáticos na geração de diagnósticos imprecisos. Com o uso de IA, essa situação se agravou, aumentando a preocupação dos profissionais da saúde.

Essas plataformas de busca costumam simplificar diagnósticos e recomendações sem levar em conta uma avaliação profissional, baseada apenas nas descrições fornecidas pelos pacientes. Favilla observa que, em muitos casos, as respostas são oferecidas sem que o usuário seja aconselhado a procurar um especialista, o que pode atrasar a busca por tratamento adequado e agravar problemas de saúde.

Para ilustrar essa questão, dentistas do CFO realizaram testes em que questionaram plataformas sobre sintomas como “minha gengiva está vermelha e sangrando”. As recomendações recebidas frequentemente pediam para realizar bochechos, quando, na realidade, a situação poderia exigir orientações diferentes.

Além disso, Favilla alerta que lesões mais sérias, como as malignas, podem ser mal interpretadas pela IA, que tende a simplificar as respostas. Isso pode induzir o paciente a acreditar que sua condição é menos grave do que realmente é, baseando-se em informações como “o ChatGPT disse que é só uma inflamação”, quando a verdade pode ser muito mais preocupante.

Marcelo Abla, membro da Câmara Técnica de Implantodontia do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo, acrescenta que a forma como as perguntas são feitas nas plataformas pode alterar significativamente as respostas. Ele explica que alguns sistemas são programados para gerar respostas a partir de informações anteriores, o que pode resultar em informações incorretas.

Enquanto buscadores tradicionais costumavam apresentar soluções sem embasamento científico, Favilla observa que a IA, por buscar referências, tende a filtrar melhor essas informações, mas ainda pode priorizar diagnósticos mais comuns, o que pode atrasar identificações de casos graves.

Nos consultórios, embora muitos pacientes não admitam ter buscado um diagnóstico em plataformas de IA, os dentistas notam um aumento no uso de termos técnicos incomuns, o que sugere que as pesquisas estão ocorrendo. Por outro lado, a aplicação de inteligência artificial pelos profissionais de odontologia tem trazido benefícios significativos. A tecnologia está sendo utilizada em pesquisa, planejamento digital e impressão 3D, agilizando processos que antes poderiam demorar dias.

Favilla ressalta que apenas profissionais qualificados podem realizar diagnósticos e indicar tratamentos adequados. A precisão de um diagnóstico vai além da descrição de sintomas, e uma IA não consegue substituir o juízo profissional.

Abla concorda que a parte mais desafiadora é chegar a um diagnóstico, que não pode ser atribuído a um sistema de IA. Para situações emergenciais, as orientações que a tecnologia pode fornecer devem ser complementadas por uma consulta ao dentista.

Diante do cenário atual, o ideal é que a inteligência artificial sirva como uma ferramenta complementar, mas nunca como um substituto do atendimento humano.

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