05/02/2026
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Empresas desaceleram janeiro para priorizar saúde mental

A saúde mental ganhou destaque no planejamento estratégico das empresas brasileiras para 2026. No início do ano, muitas organizações optaram por manter suas operações em ritmo mais lento, seja através de férias coletivas ou de uma volta gradual ao trabalho. Essa mudança ocorre em resposta ao aumento de casos de afastamentos por questões emocionais e à necessidade de manter a produtividade nas próximas semanas.

Dados do Ministério da Previdência Social mostram que, em 2024, foram registradas mais de 472 mil licenças por problemas como ansiedade, burnout e depressão. Esse número representa um aumento de 68% em relação ao ano anterior, indicando uma pressão crescente sobre as empresas para que reconsiderem suas práticas de gestão e organização do trabalho.

Leandro Oliveira, diretor da Humand no Brasil e na Europa, Oriente Médio e África, destaca que o início do ano agora desempenha um papel estratégico. Ele explica que permitir um intervalo entre os ciclos de trabalho ajuda a recompor as equipes e diminui o desgaste emocional. Segundo Oliveira, a pausa deixou de ser um benefício ocasional e se tornou parte fundamental da agenda de saúde mental nas organizações.

Janeiro, tradicionalmente um mês de alta pressão para o retorno às atividades, é visto por Oliveira como um período de reorganização cognitiva. Durante esse tempo, a desconexão de e-mails, reuniões e metas desafiadoras permite que os trabalhadores recuperem suas energias antes de enfrentar um novo ciclo de demandas. Essa prática, segundo o especialista, resulta em decisões mais sólidas ao longo do ano e diminui as chances de afastamentos relacionados à saúde mental.

Estudos internacionais corroboram essa perspectiva. Pesquisas indicam que os níveis de bem-estar durante as férias são superiores aos observados em outros momentos do ano, reforçando a importância de incluir pausas regulares no calendário das empresas.

Entretanto, para que os efeitos positivos sejam sentidos, é fundamental haver um planejamento adequado. Oliveira observa que, sem uma orientação clara, alguns trabalhadores podem transformar o período de descanso em uma extensão do trabalho, dedicando-se a cursos intensivos ou exigências pessoais excessivas. Esse comportamento pode substituir o estresse habitual por novas formas de ansiedade.

O especialista enfatiza que o retorno ao trabalho deve ser guiado pelo equilíbrio. Atividades escolhidas por interesse pessoal podem atuar como um descanso ativo, enquanto longas listas de tarefas relacionadas à carreira podem elevar o nível de cobrança, prejudicando a recuperação emocional.

Para as empresas, um retorno gradual após as férias coletivas é essencial para manter um bom clima organizacional. Equipes que descansam adequadamente tendem a voltar com uma maior capacidade de concentração e adaptação às exigências do ano.

Ao integrar a saúde mental ao planejamento de janeiro, as organizações tratam a pausa como parte de uma estratégia de longo prazo. Essa desaceleração inicial visa reduzir o risco de afastamentos, manter o engajamento e assegurar um bom desempenho ao longo de 2026.

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