04/02/2026
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Estado inicia uso de IA na saúde após três anos de registros analógicos

Secretária de Saúde de Pernambuco Apresenta Ações Inovadoras em Seminário sobre Inteligência Artificial na Saúde

Durante um seminário realizado no Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, a secretária de Saúde de Pernambuco, Zilda Cavalcanti, anunciou o início das atividades da Rede Estadual de Dados em Saúde (REDS-PE), que utilizará recursos de inteligência artificial (IA) para melhorar a gestão da saúde no estado. O evento, intitulado “IA: o futuro do cuidar é humano”, mediado pela jornalista Cinthia Leite, também trouxe à tona dados sobre a situação da saúde pública em Pernambuco.

Em seu discurso, a secretária destacou a realidade encontrada pela gestão da governadora Raquel Lyra em janeiro de 2023. Entre os problemas identificados, estava a falta de um sistema de gestão eficiente, com seis grandes hospitais operando sem contratos adequados de manutenção e utilizando mais de 80% de anotações em papel para registro de dados.

Desafios da Gestão e Conectividade

Zilda Cavalcanti apontou que, em 2023, 61 Unidades de Saúde, incluindo UPAs e hospitais, não estavam conectadas devido à ausência de infraestrutura básica. A falta de integração entre as unidades de saúde dificultou o acesso a dados essenciais e prejudicou a tomada de decisões. O governo, no entanto, triplicou o orçamento destinado a investimentos em saúde digital, criando uma nova Diretoria-Geral de Inovação e Inteligência Artificial em Saúde.

A secretária ressaltou que, embora o avanço na área de tecnologia seja animador, a implementação exigiu um planejamento estratégico integrado para a saúde pública, começando do zero com a construção de redes lógicas e aquisição de equipamentos.

Construindo uma Base de Dados Robusta

O projeto da REDS-PE visa a criação de um dos maiores bancos de dados do setor de saúde, destinado a incluir informações de toda a rede pública, como hospitais e UPAs. Com isso, os dados de 11,7 milhões de pacientes, incluindo 82 milhões de diagnósticos e 76 milhões de procedimentos, serão coletados e organizados.

Rodrigo Brennand, responsável pela Diretoria Geral de Informatização e Inovação em Saúde, explicou que a base de dados permitirá a criação de sistemas de IA que auxiliem na melhoria do atendimento ao paciente. O objetivo é que, futuramente, médicos possam acessar rapidamente o histórico de saúde dos pacientes, filtrando as informações mais relevantes para decisões clínicas.

Ética e Desafios da Implementação

Um dos desafios mencionados por Zilda Cavalcanti é a questão ética em torno do uso de dados sensíveis, especialmente com a regulamentação da Lei Geral de Proteção de Dados. A secretária observou que é essencial garantir a privacidade dos pacientes enquanto se busca melhorar a gestão da saúde.

Ela também comentou que, apesar dos avanços tecnológicos, o engajamento das equipes de saúde é fundamental para que todas essas ferramentas sejam utilizadas efetivamente. O desafio é uma combinação entre a pressão para atender os pacientes em grandes hospitais e a necessidade de adaptar a cultura da prática médica, que muitas vezes se concentra apenas em especialidades.

A Caminho da Transformação

Cavalcanti acredita que, com a implementação desses sistemas, será possível melhorar o fluxo de atendimento, reduzindo filas e evitando transferências desnecessárias entre hospitais. Além disso, a secretária destacou que diversos parceiros, incluindo universidades e startups, estão colaborando para o desenvolvimento de soluções.

Com a REDS-PE, Pernambuco se estabelecerá como um modelo para a federalização da Rede Nacional de Dados da Saúde, promovendo a transformação digital em saúde na esfera pública. Ciente de que ainda há um longo caminho pela frente, Zilda Cavalcanti expressou otimismo sobre o potencial da tecnologia para revolucionar o setor e garantir um atendimento de qualidade para todos os cidadãos.

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