Secretária de Saúde de Pernambuco Apresenta Ações Inovadoras em Seminário sobre Inteligência Artificial na Saúde
Durante um seminário realizado no Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, a secretária de Saúde de Pernambuco, Zilda Cavalcanti, anunciou o início das atividades da Rede Estadual de Dados em Saúde (REDS-PE), que utilizará recursos de inteligência artificial (IA) para melhorar a gestão da saúde no estado. O evento, intitulado “IA: o futuro do cuidar é humano”, mediado pela jornalista Cinthia Leite, também trouxe à tona dados sobre a situação da saúde pública em Pernambuco.
Em seu discurso, a secretária destacou a realidade encontrada pela gestão da governadora Raquel Lyra em janeiro de 2023. Entre os problemas identificados, estava a falta de um sistema de gestão eficiente, com seis grandes hospitais operando sem contratos adequados de manutenção e utilizando mais de 80% de anotações em papel para registro de dados.
Desafios da Gestão e Conectividade
Zilda Cavalcanti apontou que, em 2023, 61 Unidades de Saúde, incluindo UPAs e hospitais, não estavam conectadas devido à ausência de infraestrutura básica. A falta de integração entre as unidades de saúde dificultou o acesso a dados essenciais e prejudicou a tomada de decisões. O governo, no entanto, triplicou o orçamento destinado a investimentos em saúde digital, criando uma nova Diretoria-Geral de Inovação e Inteligência Artificial em Saúde.
A secretária ressaltou que, embora o avanço na área de tecnologia seja animador, a implementação exigiu um planejamento estratégico integrado para a saúde pública, começando do zero com a construção de redes lógicas e aquisição de equipamentos.
Construindo uma Base de Dados Robusta
O projeto da REDS-PE visa a criação de um dos maiores bancos de dados do setor de saúde, destinado a incluir informações de toda a rede pública, como hospitais e UPAs. Com isso, os dados de 11,7 milhões de pacientes, incluindo 82 milhões de diagnósticos e 76 milhões de procedimentos, serão coletados e organizados.
Rodrigo Brennand, responsável pela Diretoria Geral de Informatização e Inovação em Saúde, explicou que a base de dados permitirá a criação de sistemas de IA que auxiliem na melhoria do atendimento ao paciente. O objetivo é que, futuramente, médicos possam acessar rapidamente o histórico de saúde dos pacientes, filtrando as informações mais relevantes para decisões clínicas.
Ética e Desafios da Implementação
Um dos desafios mencionados por Zilda Cavalcanti é a questão ética em torno do uso de dados sensíveis, especialmente com a regulamentação da Lei Geral de Proteção de Dados. A secretária observou que é essencial garantir a privacidade dos pacientes enquanto se busca melhorar a gestão da saúde.
Ela também comentou que, apesar dos avanços tecnológicos, o engajamento das equipes de saúde é fundamental para que todas essas ferramentas sejam utilizadas efetivamente. O desafio é uma combinação entre a pressão para atender os pacientes em grandes hospitais e a necessidade de adaptar a cultura da prática médica, que muitas vezes se concentra apenas em especialidades.
A Caminho da Transformação
Cavalcanti acredita que, com a implementação desses sistemas, será possível melhorar o fluxo de atendimento, reduzindo filas e evitando transferências desnecessárias entre hospitais. Além disso, a secretária destacou que diversos parceiros, incluindo universidades e startups, estão colaborando para o desenvolvimento de soluções.
Com a REDS-PE, Pernambuco se estabelecerá como um modelo para a federalização da Rede Nacional de Dados da Saúde, promovendo a transformação digital em saúde na esfera pública. Ciente de que ainda há um longo caminho pela frente, Zilda Cavalcanti expressou otimismo sobre o potencial da tecnologia para revolucionar o setor e garantir um atendimento de qualidade para todos os cidadãos.