Ações na Saúde Pública em Pernambuco com Inteligência Artificial
Em um seminário realizado no Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, a secretária de Saúde de Pernambuco, Zilda Cavalcanti, anunciou o início de um projeto que visa modernizar e integrar os dados de saúde no estado, utilizando Inteligência Artificial (IA). O evento, intitulado “IA: o futuro do cuidar é humano”, foi uma oportunidade para discutir os desafios e as novas diretrizes para a saúde digital em Pernambuco.
Situação Atual da Saúde
Desde que assumiu o cargo, em janeiro de 2023, o governo Raquel Lyra identificou problemas significativos no setor. Foram encontrados seis grandes hospitais, como o Hospital da Restauração, que operavam sem contratos de manutenção adequados e dependiam de papelada, com mais de 80% das informações registradas manualmente. Apesar de um investimento de 16% da Receita Corrente Líquida, a situação da saúde pública era caótica.
Durante sua palestra, Zilda revelou que, devido à falta de conectividade, as 61 Unidades de Saúde, incluindo UPAs e hospitais, não se comunicavam eficientemente entre si. A secretária destacou que, para mudar esse cenário, o orçamento destinado à saúde digital teve um aumento significativo, triplicando em relação ao passado.
Nova Direção em Saúde Digital
Como parte da reestruturação, o governo criou a Diretoria-Geral de Inovação e Inteligência Artificial em Saúde. O plano é desenvolver uma Rede Estadual de Dados em Saúde, conhecida como REDS-PE, que integrará informações de toda a rede de atenção primária e hospitais. Esse banco de dados é um dos mais abrangentes do país, com a previsão de conter dados de 11,7 milhões de pacientes, 82 milhões de diagnósticos e 63 milhões de atendimentos registrados.
A expectativa é que, com o uso da IA, seja possível melhorar a gestão e o atendimento aos pacientes. Em um futuro próximo, médicos poderão acessar rapidamente o histórico de saúde de um paciente de maneira eficiente, ajudando na identificação de diagnósticos relevantes.
Desafios e Caminho Futuro
Um dos principais desafios será garantir que as equipes de saúde utilizem essas novas tecnologias, uma vez que a cultura do atendimento muitas vezes prioriza a especialização em detrimento de uma visão holística. Para isso, o governo precisará do engajamento das equipes e educação continuada para integrar esses novos processos.
Além disso, a secretária reconheceu que a implementação da IA e das mudanças estruturais exiges investimentos e treinamento, mas acredita que essa tecnologia pode reduzir as filas e melhorar as condições de atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS).
Conclusão
O seminário destacou a importância de integrar tecnologia na saúde pública como uma forma de melhorar os serviços e otimizar o cuidado aos cidadãos. A expectativa é que, com a REDS-PE e o uso de IA, Pernambuco se torne um modelo na gestão de dados em saúde no Brasil, oferecendo melhor qualidade de atendimento e eficiência nos processos administrativos. A jornada é longa, mas os passos dados até agora demonstram um compromisso com a inovação e a melhoria dos serviços de saúde.