09/02/2026
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Estresse térmico e o impacto das altas temperaturas na saúde mental

O impacto do calor na saúde mental no Ceará

Um ditado popular diz que existe “um sol para cada cabeça” no Ceará, e a realidade do estado tem mostrado que esse sol está se tornando cada vez mais intenso devido às mudanças climáticas. O aumento das temperaturas tem gerado problemas significativos de saúde mental, elevando os níveis de estresse, prejudicando o sono e causando ansiedade em diversas populações.

Embora a temperatura esteja aumentando em todo o Ceará, a forma como essas mudanças impactam as pessoas varia. Grupos mais vulneráveis, como aqueles que vivem em áreas de baixa renda, sentem o calor de forma muito mais intensa. O fenômeno conhecido como “estresse térmico” e a nova forma de ansiedade chamada “ecoansiedade” são algumas das consequências diretas desse cenário.

Um estudo da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) revela que, em apenas 60 anos, a temperatura no Ceará aumentou em 1,8ºC. Esse aumento tem gerado ondas de calor mais frequentes, que afetam a agricultura, o abastecimento de água e, principalmente, a saúde da população.

O que é estresse térmico?

O estresse térmico acontece quando o corpo humano não consegue regular sua temperatura em resposta ao calor extremo. Isso pode levar a sintomas como fadiga, problemas no sono e até doenças relacionadas ao calor. Segundo especialistas, esse tipo de estresse é uma preocupação crescente, especialmente após a Revolução Industrial e o desenvolvimento do capitalismo, que intensificaram a degradação ambiental.

No Brasil, estima-se que cerca de 38 milhões de pessoas estão expostas a essa condição. Um estudo que analisou 31 cidades da América do Sul concluiu que, nas cidades brasileiras, quase 40 milhões de habitantes vivem em condições de calor extremo por mais de 20 dias ao ano. Dias com alta umidade agravam essa situação, tornando a sensação térmica ainda mais desconfortável.

Ecoansiedade

As mudanças climáticas também têm gerado um novo fenômeno psicológico: a ecoansiedade. Isso se refere à preocupação e ansiedade relacionadas ao futuro do planeta em decorrência de desastres ambientais. Essa condição pode dificultar o sono e levar a uma sensação de desamparo diante das incertezas sobre as mudanças climáticas e seus impactos.

De acordo com especialistas, essas questões afetam principalmente as populações mais vulneráveis, como as de baixa renda e grupos minoritários. Essas comunidades são as mais afetadas pelo calor intenso e, ao mesmo tempo, têm menos recursos para lidarem com os efeitos.

A vulnerabilidade das minorias

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que ocorre em Belém, enfatiza a importância da justiça climática. Isso significa reconhecer que as mudanças climáticas impactam diferentes grupos de maneira desigual. No evento, foi discutida a necessidade de proteger as populações mais afetadas pela crise climática, especialmente aqueles que já enfrentam problemas sociais e econômicos.

Especialistas apontam que as comunidades menos favorecidas são as que mais sofrem, em parte porque não têm acesso a moradias adequadas que proporcionem conforto térmico, aumentando ainda mais os riscos para a saúde. Durante períodos de calor intenso, os atendimentos nas unidades de saúde são frequentemente dominados por casos relacionados ao calor, como desidratação, arritmias e ansiedade.

Medidas para mitigar os impactos

O Ceará, localizado em uma zona equatorial, já é conhecido por suas altas temperaturas. Contudo, a população tem certo nível de resistência ao calor. No entanto, isso não deve isentar a necessidade de políticas públicas efetivas. Até 2023, Fortaleza apenas começou a elaborar um plano para combater ilhas de calor e o estresse térmico na cidade.

As ações para mitigar os impactos do calor incluem a melhoria das condições de moradia e o aumento de áreas verdes na cidade. O Parque Estadual do Cocó, por exemplo, é uma área que oferece alívio térmico, com temperaturas até 6°C mais amenas quando comparadas a regiões sem vegetação.

Durante a COP, um tema em destaque foi a criação de um Fundo Internacional das Florestas, que pretende incentivar a preservação ambiental e punir atividades que resultam em desmatamento.

A importância de unir esforços entre as diversas áreas do governo é fundamental para garantir um ambiente urbano mais saudável e sustentável. Uma abordagem interligada ajudaria a preservar as áreas verdes e a promover a educação sobre a importância da natureza na vida das cidades.

As consequências das mudanças climáticas são complexas, e as populações mais vulneráveis precisam de apoio e ações concretas para enfrentar o cenário atual.

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