A Chegada dos Humanas à Austrália
Há quase 250 anos, os europeus estabeleceram sua primeira colônia permanente na Austrália e se depararam com os povos aborígenes do continente. Recentemente, uma pesquisa revelou informações importantes sobre quando esses primeiros habitantes chegaram à Oceania.
A pesquisa analisou cerca de 2.500 sequências de DNA de comunidades aborígenes na Austrália, Papua Nova Guiné e ilhas do Pacífico. O objetivo foi entender a linha do tempo da chegada dos primeiros humanos modernos ao Sahul, um continente pré-histórico que incluía a Austrália, a Tasmânia e a Nova Guiné.
Os cientistas encontraram evidências de que humanos habitaram a área há cerca de 60.000 anos. Além disso, descobriram o que pode ser um dos primeiros registros de viagens por mar. Isso sugere que alguns desses primeiros habitantes podem ter se cruzado com outras espécies durante suas jornadas.
Avanços Tecnológicos e a Data de Chegada
Desde o primeiro contato europeu com os aborígenes, houve muitos avanços tecnológicos que ajudaram a esclarecer quando a Austrália foi habitada. Os métodos de datação por carbono-14, por exemplo, mostraram que os humanos estavam no continente há milhares de anos, muito além do que as estimativas europeias iniciais sugeriam.
“A data de chegada foi empurrada para cerca de 45.000 anos atrás, que agora é conhecida como a ‘cronologia curta’”, explica um dos pesquisadores. Contudo, alguns arqueólogos acreditam que a chegada pode ter ocorrido até mesmo antes disso.
A teoria da “longa cronologia” começou a ganhar força em 2017, à medida que novas técnicas de datação foram desenvolvidas. Essa teoria proposta sugeria que os primeiros humanos chegaram à Austrália há 60.000 anos, mas o conceito não teve ampla aceitação e gerou controvérsias. Em 2024, mais evidências surgiram e mudaram novamente a discussão.
O Papel dos Geneticistas
Durante essa investigação, geneticistas também se envolveram, explorando o chamado “relógio genético” dos australianos pré-históricos. Descobriram que houve cruzamentos entre os humanos modernos e os neandertais, com um período de sobreposição de cerca de 5.000 anos. Isso sugere que a “cronologia curta” pode ser mais precisa do que se pensava.
Os dados indicam que todos os não africanos atuais possuem cerca de 2% de DNA neandertal, sugerindo que descendem de um pequeno grupo. Por isso, essa pesquisa reforçou a visão da cronologia curta.
Uma hipótese considera que os humanos chegaram a Sahul em duas ondas: uma há 60.000 anos e outra há 40.000 anos, possivelmente substituindo a primeira. No entanto, essa explicação não convenceu a todos, já que já havia uma população significativa em Sahul há 40.000 anos. A nova pesquisa propõe que apenas uma única onda de humanos chegou a Sahul há 60.000 anos, mas por rotas diferentes.
As Primeiras Viagens Marítimas
Os pesquisadores sequenciaram DNA mitocondrial, que é herdado apenas pela linha materna, de quase 1.000 novas amostras. Combinando essas com outras 1.500 sequências, conseguiram usar o que chamaram de “relógio molecular” para determinar que as linhagens humanas mais antigas na Austrália datam de 60.000 anos.
“Os resultados sugerem que houve duas migrações distintas para Sahul, ambas em torno de 60.000 anos atrás”, explica um dos co-autores. As linhagens mais antigas foram divididas em dois grupos: um maior, com ancestralidade atribuída às Filipinas, e outro menor, originário do Sul da Ásia ou Indochina.
O grupo maior apresentou DNA encontrado em novos guineenses e aborígenes, enquanto o menor foi identificado apenas entre os aborígenes.
A explicação mais simples para isso é que cada grupo usou uma rota diferente para chegar ao continente. Um grupo teria avançado por um caminho principal ao norte, e o outro por um caminho menor ao sul.
Além disso, as análises mostraram que, entre os modernos guineenses e os aborígenes, havia evidências de mais 5% de DNA de humanos arcaicos para além do padrão de 2% de DNA neandertal. Isso indica que humanos pré-históricos também se cruzaram com outras espécies antigas durante suas viagens.
O mais impressionante é que, mesmo com o nível do mar mais baixo na época, o grupo menor teria viajado pelo menos 60 milhas em mar aberto, marcando um dos primeiros registros de navegação humana. Eles provavelmente usaram embarcações simples, como botes de bambu ou canoas, mas isso não diminui a importância de sua travessia.
Os autores da pesquisa indicam que ainda há muito a ser explorado. Embora os novos dados ofereçam uma visão mais convincente sobre a longa cronologia, a dúvida persiste. Estudos futuros que consigam recuperar DNA pré-histórico podem trazer respostas definitivas sobre a chegada dos humanos à Austrália.
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