05/02/2026
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Estudo de fezes de 1.305 anos revela variedade de parasitas

A Cultura Loma San Gabriel e os Desafios de Saúde na Antiguidade

Na década de 1950, arqueólogos realizaram escavações na Caverna das Crianças Mortas, no México. Durante esse trabalho, encontraram diversos artefatos antigos, incluindo fezes humanas fossilizadas, conhecidas como “paleofeces”. Recentemente, pesquisadores utilizaram tecnologia moderna para estudar essas amostras mais a fundo e descobriram que as pessoas da cultura Loma San Gabriel enfrentavam sérios problemas de saúde devido a parasitas e bactérias.

Essas amostras de fezes são como cápsulas do tempo, permitindo uma visão única da cultura Loma San Gabriel e dos parasitas que afetavam esses indivíduos. Analisando os vestígios, podemos entender melhor como era a vida e a saúde dessas antigas comunidades.

Estudo das Fezes de 1.300 Anos

Um estudo recente, publicado em uma revista científica, analisou as paleofeces coletadas entre 1957 e 1960 na Caverna das Crianças Mortas, localizada no Vale do Rio Zape, no noroeste do México. Os arqueólogos inicialmente nomearam a caverna devido aos esqueletos de crianças encontrados lá, mas também recuperaram fezes fossilizadas, restos botânicos, além de ossos de animais e humanos.

As fezes, datadas de 725 a 920 d.C., oferecem uma perspectiva fascinante sobre os patógenos que infectavam o povo de Loma San Gabriel. Até o momento, estudos anteriores já tinham identificado ovos de ancilostomídeo, trichurias e oxiúros, mas os pesquisadores queriam analisar as fezes com mais precisão, utilizando novas técnicas de análise de DNA.

A equipe extraiu DNA de 15 eventos distintos de defecação e aplicou a técnica de reação em cadeia da polimerase (PCR) para identificar os microrganismos presentes. Os resultados foram surpreendentes.

Descobertas Sobre Patógenos e Saúde

Cada amostra de paleofeces continha pelo menos um patógeno ou micro-organismo. Os mais comuns encontrados foram o parasita intestinal Blastocystis e a bactéria E. coli, ambos nunca antes identificados em fezes antigas. Além deles, também foram detectados Shigella e Giardia, que poderiam causar distúrbios gastrointestinais nas pessoas que os carregavam.

O principal autor do estudo, Drew Capone, comentou que trabalhar com essas amostras ancestrais foi como abrir uma cápsula biológica, revelando informações sobre a saúde e a vida cotidiana há mais de mil anos. Essa pesquisa trouxe à tona insights valiosos sobre a cultura Loma San Gabriel, que existiu há mais de 1.300 anos.

Conhecendo a Cultura Loma San Gabriel

As pessoas da cultura Loma San Gabriel viveram no Vale do Rio Zape entre os anos 600 e 800 d.C. Elas formavam pequenos vilarejos, cultivavam a terra e produziam cerâmicas. Um aspecto sombrio dessa cultura era a prática de sacrifício infantil, e a Caverna das Crianças Mortas parecia ser um local de descarte de resíduos.

Esses hábitos deixaram vestígios que ajudam os pesquisadores a compreender melhor a vida na época. As análises de paleofeces indicam que infecções intestinais eram comuns e que os Loma San Gabriel provavelmente tinham práticas de saneamento precárias, o que os expunha a diferentes patógenos. A dieta desse povo incluía principalmente agave, cerejas, milho, girassóis, erva-de-passarinho e pé-de-galinha.

Estudos Anteriores e Contexto

A pesquisa sobre fezes antigas não é uma novidade. Em 2022, um estudo de fezes encontradas em um assentamento neolítico próximo a Stonehenge revelou que seus habitantes consumiram carne de animais contaminados. No mesmo ano, uma análise de um esgoto sob um vaso sanitário de 2.700 anos em Jerusalém revelou a presença de parasitas, como lombrigas e tênias.

Esses exemplos demonstram como a análise de fezes pode revelar muito sobre as sociedades antigas. O estudo das paleofeces na Caverna das Crianças Mortas se destaca como uma nova evidência de que esses vestígios podem contar histórias valiosas sobre nosso passado.

Potencial da Pesquisa Científica

Como observou o pesquisador Joe Brown, há grande potencial na aplicação de métodos moleculares modernos para pesquisas sobre o passado. Técnicas sensíveis podem complementar as análises tradicionais quando focamos em alvos específicos. Os cientistas esperam continuar esse trabalho colaborativo para entender melhor a presença e a movimentação de patógenos em amostras antigas.

Conclusão

O estudo das paleofeces da Caverna das Crianças Mortas não apenas amplia nosso entendimento sobre a cultura Loma San Gabriel, mas também ilustra a importância da pesquisa científica na recuperação de histórias esquecidas. Os desafios de saúde enfrentados por essas comunidades antigas nos ajudam a refletir sobre a evolução da humanidade e nossos avanços na área da saúde pública ao longo dos séculos.

Explorando Mais

Após conhecer o estudo das paleofeces de 1.300 anos, é interessante explorar também os deuses e práticas de culturas antigas, como a história de Moloch, que era associado a sacrifícios infantis, ou conhecer Mictlantecuhtli, o deus asteca da morte e do submundo.

Essa visão sobre as práticas e doenças de uma cultura do passado nos oferece um contexto mais amplo sobre como vivemos e como a saúde e a higiene influenciam o desenvolvimento das sociedades.

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