02/04/2026
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Estudo global revela altos índices de depressão e ansiedade em portadores de dor crônica

A análise de mais de 375 estudos publicados revelou uma associação alarmante entre dor crônica e os níveis de depressão e ansiedade. O estudo, realizado por pesquisadores de uma instituição renomada, encontrou que 40% dos adultos com dor crônica sofrem de depressão e ansiedade significativas. As pessoas mais afetadas incluem mulheres, jovens e portadores de fibromialgia.

Ao longo dos anos, várias pesquisas mostraram que existe uma ligação clara entre dor e humor. Entretanto, os pesquisadores desta nova análise afirmam que os altos níveis de comorbidade são uma preocupação de saúde pública que requer triagens rotineiras. Também ressaltam a necessidade de acesso a cuidados especializados e o desenvolvimento de novas terapias.

Historicamente, quem sofre de dor crônica e também enfrenta depressão e ansiedade encontra dificuldade para acessar clínicas especializadas em dor. Além disso, muitas vezes são excluídos de ensaios clínicos voltados para o manejo da dor. A dor crônica, que é aquela que persiste por mais de três meses, pode ser extremamente debilitante. De acordo com dados de 2021, cerca de 20,9% dos adultos nos Estados Unidos, o que equivale a 51,6 milhões de pessoas, conviveram com dor crônica.

Pacientes que têm dor crônica frequentemente apresentam sintomas de depressão e ansiedade. Pesquisas indicam que entre 20% a 40% dos adultos nessa condição também sofrem com esses problemas emocionais.

“Hoje em dia, temos tratamentos psicológicos eficazes tanto para a depressão quanto para a ansiedade, assim como para a dor crônica. No entanto, muitas vezes esses tratamentos são aplicados de forma isolada. Além disso, muitos estudos excluem pessoas que têm dor crônica e apresentam depressão ou ansiedade”, comentou uma das pesquisadoras do estudo, ressaltando a importância de integrarem os tratamentos de saúde física e mental.

No novo estudo, os pesquisadores analisaram dados de 376 pesquisas, buscando entender a prevalência de depressão e ansiedade em pessoas com dor crônica em todo o mundo. As descobertas foram baseadas em sintomas clínicos registrados, critérios de diagnóstico encontrados no Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais, e ajustes para fatores como localização geográfica, idade e sexo.

Os resultados mostraram que pacientes adultos com dor crônica têm mais chances de apresentar sintomas de depressão e ansiedade. Com isso, fica claro que a elevação desses problemas emocionais pode ser única para quem convive com dor crônica, e não pode ser atribuída apenas a outras condições médicas.

“As pessoas com dor crônica têm mais chances de apresentar depressão e ansiedade do que aquelas que não têm. Isso é um problema de saúde pública que precisa ser resolvido com triagens rotineiras. Ao mesmo tempo, é uma história de resiliência, já que muitos com dor crônica vivem vidas saudáveis emocionalmente”, afirmaram os pesquisadores.

Para o estudo, foram considerados dados de pesquisas realizadas entre 2013 e 2023, envolvendo 347.468 pacientes adultos com dor crônica de 50 países. A média de idade desses pacientes era de 52 anos, e foram estudados sete sintomas relacionados à depressão e ansiedade.

Dentre esses sete sintomas, os pesquisadores encontraram as taxas mais altas de sintomas clínicos de depressão e ansiedade em pacientes com dor crônica, com 39% e 40%, respectivamente. As taxas de diagnósticos com base no DSM-5 foram mais baixas, incluindo transtorno depressivo maior (37%), transtorno depressivo persistente (6%), transtorno de ansiedade generalizada (17%), transtorno do pânico (8%) e transtorno de ansiedade social (2%).

Esses resultados indicam que, embora não seja possível afirmar diretamente a relação temporal entre dor crônica e os problemas de saúde mental, adultos com dor crônica, de fato, apresentam mais sintomas desses transtornos. Especificamente, os dados mostram que a angústia psicológica e experiências de vida adversas podem aumentar o risco de dor nociplástica crônica, que é uma dor provocada por mudanças na forma como o corpo processa sinais de dor no cérebro e na medula espinhal.

Com a escassez de triagens para depressão e ansiedade nos centros que tratam dor crônica, fica cada vez mais claro que é necessário desenvolver tratamentos inovadores para pacientes que enfrentam tanto dor crônica quanto essas condições emocionais, visando resultados mais positivos.

Os pesquisadores reforçam que a dor crônica não define a vida das pessoas. Muitos conseguem viver de modo saudável apesar dos desafios. Essa perspectiva é essencial para entender que, embora a dor traga dificuldades, a resiliência humana é notável. O objetivo é avançar na forma como tratamos a dor e a saúde mental juntos, criando soluções que realmente façam a diferença na vida das pessoas.

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