Um estudo recente revelou, pela primeira vez, como objetos interestelares podem chegar à Terra em caso de colisão. As simulações feitas pelos pesquisadores indicam que a velocidade média de impacto desses objetos é de 72 quilômetros por segundo, um valor superior ao da maioria dos meteoroides que orbitam o Sistema Solar. Para realizar a pesquisa, os cientistas usaram milhões de trajetórias virtuais para mapear os períodos, direções e regiões mais prováveis de queda.
A pesquisa levou em conta o movimento do Sol na Via Láctea, além da influência da gravidade solar sobre os corpos interestelares. Três objetos já confirmados como visitantes vindos de fora do Sistema Solar foram utilizados para calibrar os modelos utilizados na simulação.
### Velocidades e Energia dos Impactos
Os objetos que poderiam atingir a Terra geralmente se deslocam a 72 km/s. Essa velocidade acontece devido à força gravitacional do Sol, que altera as trajetórias mais lentas e aumenta a possibilidade desses corpos cruzarem a órbita terrestre. Objetos que viajam a mais de 80 km/s são considerados menos comuns. A energia liberada durante o impacto é diretamente ligada a essa velocidade.
### Direções Preferenciais no Céu
As simulações apontaram duas áreas no céu com uma maior probabilidade de receber objetos que possam atingir a Terra:
– A direção do ápice solar, onde o Sol se movimenta na galáxia.
– O plano galáctico, que abriga a maior parte das estrelas da Via Láctea.
Essas regiões têm cerca do dobro de chances em comparação a áreas aleatórias. A gravidade do Sol é um fator que contribui para esse direcionamento, pois curva as trajetórias que se aproximam.
### Sazonalidade dos Riscos
O risco de colisão com esses objetos varia conforme a época do ano. Durante o inverno no Hemisfério Norte, há uma maior quantidade de impactos simulados. Isso ocorre porque a Terra está voltada para o antápice, aumentando a exposição aos objetos que o Sol capta. Na primavera, os eventos de maior velocidade relativa são mais frequentes. Os impactos mais intensos tendem a acontecer quando o planeta está se movendo em direção ao ápice solar.
### Distribuição Geográfica na Superfície
As simulações indicam que as quedas de objetos tendem a ocorrer em latitudes mais baixas, já que a proximidade com o Equador favorece esses encontros diretos. Há uma leve predominância de impactos no Hemisfério Norte. Isso se deve ao fato de que o ápice solar fica acima do plano equatorial, aumentando ligeiramente a exposição dessa região.
### Características dos Objetos Conhecidos
Até agora, três objetos interestelares já foram identificados. O primeiro, 1I/‘Oumuamua, descoberto em 2017, tinha cerca de 80 metros e não mostrou coma visível. O segundo, 2I/Borisov, encontrado em 2019, possuía um núcleo de aproximadamente 400 metros e uma coma rica em poeira e monóxido de carbono. O mais recente, 3I/ATLAS, observado em 2025, viajava a 58 km/s. Todos esses corpos seguem trajetórias hiperbólicas, confirmando que vêm de fora do nosso Sistema Solar.
### Metodologia da Simulação
Os pesquisadores usaram um total de 26 bilhões de objetos sintéticos, baseados no movimento de estrelas anãs M, que são as mais comuns na vizinhança do Sol. O modelo resultante reproduziu o fluxo interestelar que já foi observado e considerou as perturbações gravitacionais provocadas pelo Sol. Embora não tenha sido estimada a frequência absoluta de impactos, o estudo mapeou a distribuição esperada, mostrando padrões claros de chegada dos objetos, mesmo com a probabilidade de colisão considerada extremamente baixa.