DNA de Lobo em Cães Domésticos: Uma Liteira Reveladora
Estudos recentes mostraram que cerca de dois terços dos cães domésticos atuais possuem um pouco de DNA de lobo. Essa descoberta foi feita ao analisar quase 2.700 genomas de cães, antigos e modernos. Isso desafia a ideia de que, após a separação evolutiva entre cães e lobos há cerca de 20 mil anos, houve pouca ou nenhuma troca genética entre eles.
A Pesquisa e Suas Descobertas
Uma nova pesquisa revelou que a maioria das raças de cães modernos possui traços de DNA de lobo que foram adquiridos há aproximadamente 1.000 gerações, muito tempo depois da separação entre as duas espécies. Esses dados foram divulgados em uma publicação científica importante, onde os pesquisadores destacaram que o DNA de lobo poderia influenciar o comportamento dos cães e sua adaptação ao ambiente humano, embora a relação exata ainda precise ser mais explorada.
A autora principal do estudo, Audrey Lin, comentou que, antes dessa pesquisa, acreditava-se que para um cão ser considerado um cão, ele não podia ter muito DNA de lobo. Contudo, a pesquisa revelou que, ao analisarmos mais de perto os genomas dos cães, encontramos esses traços de lobo. Isso sugere que os genomas dos cães podem “tolerar” DNA de lobo até um certo nível, mantendo, assim, as características que amamos.
Análise de Genomas Antigos e Modernos
Para aprofundar o estudo, os pesquisadores analisaram 146 genomas de cães e lobos que viveram nos últimos 100.000 anos. Eles também examinaram 1.872 cães modernos, incluindo uma variedade de raças, como golden retrievers e chihuahuas. Esse trabalho incluiu cerca de 300 “cães de vila”, que são animais não pertencentes a um dono específico, mas que vivem próximos a ambientes humanos. Esses cães apresentaram uma maior quantidade de DNA de lobo, o que era esperado.
Porcentagem de DNA de Lobo em Diferentes Raças
Entre as raças que apresentaram mais DNA de lobo, estão os cães lobo da Checoslováquia e os de Saarloos, que foram intencionalmente cruzados com lobos. Entre as raças que não são consideradas “cães lobo”, os hounds tricolores anglo-franceses tinham a maior quantidade de DNA de lobo, variando entre 4,7% e 5,7%.
Os pastores Shiloh também mostraram uma porcentagem significativa de 2,7% de DNA de lobo. Em geral, os cães que foram criados para realizar tarefas específicas, como os cães de trenó, mostraram mais ancestrais de lobo. Surpreendentemente, até os chihuahuas foram encontrados com cerca de 0,2% de DNA de lobo. Isso se revela um fato curioso e que faz sentido para muitos donos dessa raça.
Raças Sem DNA de Lobo
Entretanto, nem todos os cães modernos apresentam traços de lobo. Alguns cães de guarda maiores, como o mastim napolitano, o bullmastiff e o são bernardo, não apresentaram DNA de lobo rastreável. Assim, percebe-se que, enquanto a maioria dos cães tem algum ancestral de lobo, determinadas raças não têm essa conexão genética.
Implicações do DNA de Lobo
Os cientistas acreditam que o DNA de lobo pode ter contribuído para algumas características que ajudam os cães a se adaptarem melhor ao ambiente humano, oferecendo uma vantagem genética em determinadas situações. Contudo, mais pesquisas são necessárias para entender melhor como essa ancestralidade afeta o comportamento dos cães.
De acordo com Audrey Lin e o coautor do estudo, Logan Kistler, quando os cães enfrentaram desafios evolutivos, como sobreviver em climas adversos ou procurar alimento nas ruas, eles pareciam recorrer a essa herança genética de lobo como parte de sua “caixa de ferramentas” para sobreviver. Apesar disso, muitos aspectos da conexão entre os lobos e os cães modernos continuam envoltos em mistério.
Conclusão
Essas descobertas oferecem um novo olhar sobre a relação entre os cães e seus ancestrais, os lobos. Eles não são apenas animais domesticados, mas também carregam uma parte da história evolutiva. A pesquisa em andamento poderá melhorar nosso entendimento sobre como essa conexão histórica influencia os comportamentos e a adaptação dos cães à vida ao lado dos humanos.
Com essa nova perspectiva, podemos apreciar ainda mais a complexidade desses animais que consideramos membros de nossa família. Assim, vemos que cada vez que olhamos para nossos cães, estamos também observando um pouquinho da essência dos lobos que, no fundo, ainda habitam neles.