08/02/2026
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Estudo mostra que amizade beneficia a saúde

Cultivar relações sociais e amizades fortes é essencial não apenas para o bem-estar emocional, mas também para a saúde física e o funcionamento do cérebro. Pesquisas recentes mostram que conexões profundas têm um impacto significativo, afetando desde o envelhecimento biológico até padrões de comportamento e atividade cerebral.

Um estudo publicado em uma revista científica analisou dados de mais de 2.100 adultos e revelou que o acumular de vantagens sociais ao longo da vida, como o amor parental na infância e relações comunitárias e de amizade na vida adulta, está ligado a um envelhecimento biológico mais lento. Os pesquisadores, liderados pelo professor de psicologia Anthony Ong, da Universidade Cornell, observaram que pessoas com vínculos mais sólidos apresentaram características biológicas que são, em muitos aspectos, mais jovens.

Esses indivíduos também mostraram níveis menores de inflamação crônica, o que inclui menores concentrações de interleucina-6, uma molécula relacionada a várias doenças como problemas cardíacos, diabetes e neurodegeneração. No entanto, os cientistas notaram que os vínculos sociais não estavam correlacionados com marcadores de estresse de curto prazo, como o cortisol, sugerindo que os benefícios das amizades atuam por mecanismos biológicos mais duradouros.

O professor Ong destaca que o diferencial do estudo está no enfoque nas relações de maneira ampla. Em vez de considerar apenas fatores isolados, como estado civil ou quantidade de amigos, os pesquisadores analisaram a trajetória das conexões ao longo da vida. Segundo ele, “a vantagem social cumulativa está ligada à profundidade e amplitude das conexões ao longo da vida”. Isso significa que quanto mais sólidas e numerosas as relações, mais lentos os efeitos do envelhecimento celular.

Impacto do Isolamento

Especialistas, como a psiquiatra Fernanda Rasia, ressaltam que a falta de vínculos sociais, ou o isolamento, pode acelerar o envelhecimento das células. Isso acontece devido ao aumento da ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, que regula a neuroquímica e os hormônios do corpo, levando a uma elevação sustentada do cortisol. Esse aumento contribui para uma maior produção de substâncias inflamatórias e desregulação de neurotransmissores, tornando o indivíduo mais vulnerável a problemas psiquiátricos.

Por outro lado, amizades sólidas parecem ajudar a regular a atividade do sistema nervoso autônomo, com a liberação de substâncias como oxitocina e dopamina. Essas conexões sociais estáveis ajudam a reduzir a ativação crônica do eixo HHA, diminuindo o risco de inflamações.

Outra pesquisa realizada na Universidade de Estudos Internacionais de Xangai investigou como as amizades afetam o cérebro e o comportamento. Os cientistas descobriram que amigos tendem a ter avaliações semelhantes de produtos, e essa concordância aumenta à medida que a amizade se aprofunda. Imagens do cérebro mostraram que a atividade neural de amigos fica sincronizada enquanto assistem a anúncios, envolvendo áreas relacionadas à percepção visual, memória e tomada de decisões.

Os autores do estudo afirmam que essa sincronização neural pode explicar como as relações sociais influenciam o comportamento diário, especialmente em decisões de compra, onde um vínculo mais forte resulta em maior alinhamento nas escolhas.

Cuidar das Relações como Saúde

A psicóloga Izabelle Santos destaca que o cuidado com as relações é essencial para manter a saúde física e emocional. Investir em amizades traz benefícios tangíveis, já que envelhecer com qualidade envolve estar saudável e conectado, pois o afeto tem um papel fundamental na proteção da saúde do corpo.

Um estudo realizado pela Universidade de Michigan discutiu o impacto das amizades na terceira idade e revelou que ajudar amigos em tarefas cotidianas pode melhorar o humor dos idosos. Essa pesquisa mostrou que, apesar da crença de que os idosos só recebem apoio, muitos ainda oferecem ajuda a amigos, mostrando dinamismo e envolvimento.

Os pesquisadores entrevistaram 180 idosos com idades em média de 74 anos sobre suas interações de apoio. O papel de oferecer apoio emocional se destacou, evidenciando que muitos idosos também ajudam, algo que contradiz estereótipos comuns sobre a fragilidade da velhice.

As conclusões indicam que ações práticas não apenas envolvem um engajamento ativo, mas também proporcionam propósito e utilidade. Isso é especialmente importante para homens mais velhos, cujo envolvimento ativo pode trazer benefícios a longo prazo.

A psicóloga Silvia Oliveira enfatiza a importância do apoio emocional na velhice, sendo este um período em que muitos buscam deixar um legado positivo em suas relações. Ela ressalta que reconhecer barreiras que dificultam vínculos saudáveis é essencial para a construção de conexões mais acolhedoras. Pequenas mudanças podem transformar a qualidade das relações e a saúde mental na terceira idade.

Os pesquisadores expressaram intenções de continuar a investigar a generosidade nas amizades e como essas relações podem motivar ações de cuidado, apontando para novas possibilidades no campo do bem-estar social e emocional.

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