06/02/2026
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Estudo revela efeitos dos ultraprocessados na saúde

Na manhã de quarta-feira, dia 3 de dezembro, foi realizado o lançamento da série “The Lancet” sobre Alimentos Ultraprocessados e Saúde Humana no auditório da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Brasília. O evento reuniu pesquisadores e especialistas que discutiram os efeitos negativos dos alimentos ultraprocessados na saúde da população.

Presentes no evento estavam os autores da série, Carlos Monteiro e Patrícia Jaime, do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (Nupens-USP), e o professor Phillip Baker, da Universidade de Sydney, na Austrália. Além deles, representantes de ministérios e agências da Organização das Nações Unidas (ONU) também marcaram presença.

Durante o lançamento, foi discutida uma agenda global de políticas públicas para lidar com o crescente consumo de ultraprocessados, um tema mediado pela cozinheira e escritora Rita Lobo, conhecida por defender a “comida de verdade”.

### Impactos dos Ultraprocessados

O professor Carlos Monteiro, um dos principais pesquisadores sobre o tema, destacou que a série reúne 43 autores de várias partes do mundo. Ele enfatizou que a troca de alimentos tradicionais por ultraprocessados, como substituir água, chá e sucos naturais por refrigerantes, está ligada ao aumento de doenças crônicas, como diabetes e obesidade.

Monteiro explicou que, segundo sua nova classificação, os alimentos podem ser divididos em quatro grupos:
1. Alimentos não processados ou minimamente processados
2. Ingredientes culinários processados
3. Alimentos processados
4. Alimentos ultraprocessados

Ele afirmou que os ultraprocessados não devem ser vistos como alimentos, mas sim como formulações industriais criadas para substituir opções mais saudáveis. Essa transformação na dieta pode ter graves consequências para a saúde, já que a substituição de líquidos saudáveis por refrigerantes é uma das primeiras mudanças observadas.

### Necessidade de Políticas Públicas

Ao finalizar sua apresentação, Monteiro ressaltou a importância de uma resposta sanitária global ao problema dos ultraprocessados, um ponto também abordado por Patrícia Jaime. Ela falou sobre a necessidade de desenvolver políticas que considerem todo o sistema alimentar, desde a produção até a publicidade e consumo dos alimentos ultraprocessados.

As medidas sugeridas incluem a rotulagem adequada dos produtos, indicando sua classificação como ultraprocessados. Jaime também mencionou a importância de alinhar as políticas aos perfis nutricionais de cada país e destacou a necessidade de aprender com experiências bem-sucedidas.

### A Luta Global Contra os Ultraprocessados

Phillip Baker, do estudo apresentado no evento, comparou os ultraprocessados ao tabaco, sugerindo que as empresas priorizam o lucro em detrimento da saúde pública. Ele defendeu a importância de estratégias que combatam a influência destes produtos na alimentação.

Rita Lobo, co-organizadora do evento e defensora da culinária saudável, afirmou que cozinhar é uma habilidade essencial e que deve ser ensinada a todos. Para ela, a nova classificação dos alimentos é fundamental para entender a diferença entre comida de verdade e ultraprocessados, sugerindo que cozinhar é uma maneira de combater o consumo excessivo desses produtos.

O evento destacou os desafios e ações necessárias para promover uma alimentação mais saudável e consciente, reforçando a necessidade de uma mobilização conjunta em prol da saúde pública.

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