06/02/2026
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Estudo revela impacto do açúcar na saúde mental

O consumo excessivo de açúcar tem sido associado a diversos problemas de saúde, incluindo cáries, obesidade, doenças cardiovasculares e transtornos mentais. No entanto, especialistas afirmam que a exclusão total do açúcar da dieta não é recomendada, exceto em casos específicos, como para pessoas com diabetes. Em um contexto de dieta equilibrada, o açúcar pode não ser o principal causador de problemas de saúde mental e, em algumas situações, pode até trazer benefícios.

Um estudo recente publicado em um periódico científico aponta que o consumo moderado de açúcar pode estar relacionado a uma melhor saúde mental, especialmente entre indivíduos com sobrepeso. Entretanto, o consumo excessivo continua a ser ligado a problemas no cérebro, como um maior risco de depressão e ansiedade.

A pesquisa analisou dados de quase 170 mil adultos de um grande banco de dados britânico, que acompanha a saúde de cerca de meio milhão de voluntários no Reino Unido. Para a nutricionista Lara Natacci, pesquisadora da Universidade de São Paulo, os resultados evidenciam a necessidade de um equilíbrio na alimentação. Segundo a especialista, o estudo sugere que o problema está no excesso de consumo, e não apenas no açúcar em si.

É importante destacar que, apesar do número elevado de participantes e do período de monitoramento que supera dez anos, o estudo é observacional. Isso significa que ele não pode estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre o consumo de açúcar e a saúde mental. Natacci explica que o estudo apresenta associações, mas não prova que o açúcar, isoladamente, melhora ou piora a saúde mental.

Uma limitação mencionada pelos autores do estudo é a utilização de questionários de autorrelato, que podem gerar imprecisões. A nutricionista Bruna Aparecida Farias, do Hospital Israelita Albert Einstein, observa que esse tipo de coleta pode introduzir viés nos resultados.

Ainda assim, os achados do artigo levantam questões importantes. A pesquisa sugere que o açúcar pode ativar áreas do cérebro associadas ao alívio do estresse, oferecendo uma explicação para a sensação de conforto que algumas pessoas relatam após consumir açúcar. A glicose, encontrada no açúcar, é uma das principais fontes de energia do cérebro; a sua ausência pode levar a fadiga e irritabilidade.

Por outro lado, os danos causados pelo consumo elevado de açúcar são amplamente documentados. Estudos mostram que uma ingestão elevada de açúcar pode provocar inflamações e estresse oxidativo, fatores que comprometem a saúde neuronal e aumentam a vulnerabilidade a transtornos mentais. Conforme explica Natacci, isso pode interferir na produção de neurotransmissores que promovem o bem-estar, como a dopamina.

Além disso, uma dieta rica em açúcar pode prejudicar a microbiota intestinal, e há evidências crescentes de que o desequilíbrio bacteriano no intestino está relacionado a mudanças de humor e saúde mental. Para preservar a saúde do cérebro, especialistas recomendam uma dieta rica em nutrientes que protejam os neurônios, incluindo frutas, verduras, grãos integrais, castanhas e peixes, semelhante à dieta mediterrânea. Natacci ressalta a importância de moderar o consumo de açúcar.

No país, o consumo de açúcar ainda está acima do recomendado. Dados recentes indicam que, em média, as pessoas ingerem cerca de 80 gramas de açúcar por dia, o que corresponde a aproximadamente 18 colheres de chá. A Organização Mundial da Saúde recomenda que a ingestão de açúcares não ultrapasse 10% do total de calorias diárias. Para uma dieta de 2.000 calorias, isso representa um máximo de 50 gramas de açúcar por dia.

Para reduzir a ingestão de açúcar, especialistas sugerem diminuir a quantidade utilizada em receitas e optar por especiarias, como canela e cravo, para realçar o sabor dos alimentos. Outra dica é reeducar o paladar, reduzindo gradualmente a quantidade de açúcar em bebidas como café, chás e sucos.

É fundamental também ficar atento aos alimentos industrializados, que frequentemente contêm altas quantidades de açúcar. Com a nova rotulagem nutricional, que destaca produtos “altos em açúcar adicionado”, fica mais fácil identificar as opções menos saudáveis. Natacci conclui que o problema não é um único ingrediente, mas sim a combinação de uma alimentação inadequada e um estilo de vida pouco saudável.

Em relação aos tipos de açúcar, existem várias categorias. A sacarose, que é o açúcar de mesa, pode ser encontrada em versões refinada, cristal, mascavo e demerara. A frutose está presente naturalmente em frutas e mel, enquanto a lactose é encontrada no leite. A glicose, ou dextrose, é frequentemente usada em produtos culinários e suplementos.

O consenso entre os especialistas é claro: escolher com moderação e manter um equilíbrio na alimentação são as melhores estratégias para proteger tanto o corpo quanto a mente.

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