09/02/2026
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Estudo revela que apostas custam R$ 30 bilhões à saúde no Brasil

Um novo estudo divulgado nesta terça-feira, 2 de outubro, apontou que os custos com os danos à saúde relacionados às apostas online e jogos de azar no país chegam a R$ 30,6 bilhões por ano. O relatório, intitulado “A Saúde dos Brasileiros em Jogo”, foi elaborado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps) em colaboração com a Frente Parlamentar Mista para Promoção da Saúde Mental e a organização Umane. O documento analisa os impactos sanitários, econômicos e sociais da crescente popularidade das apostas online.

Segundo informações do Banco Central, os brasileiros gastaram cerca de R$ 240 bilhões em apostas em 2024. Destes, R$ 3 bilhões foram utilizados por beneficiários do Bolsa Família em agosto do mesmo ano. As casas de apostas foram legalizadas em 2018, regulamentadas em 2023 e começaram a pagar mais impostos a partir de 2025. Até setembro de 2024, a arrecadação financeira dessa atividade atingiu R$ 6,8 bilhões, subindo para quase R$ 8 bilhões no mês seguinte.

Além dos impactos à saúde, as apostas geram um custo social total de R$ 38,8 bilhões ao ano, sendo R$ 17 bilhões relacionados a suicídios. Em Joinville, Santa Catarina, a professora Adriana Rafaela Corrente vive a dor da perda do filho, Leonardo, que se suicidou devido a dívidas decorrentes de apostas online.

### Perdas Judiciais

Os dados do estudo destacam a gravidade do problema:
– Os R$ 38,8 bilhões de custo social incluem:
– R$ 17 bilhões por suicídios adicionais.
– R$ 10,4 bilhões pela perda de qualidade de vida de pessoas com depressão.
– R$ 3 bilhões em tratamentos médicos para condições mentais, como a depressão.
– R$ 1,3 bilhões por perda de moradia.
– R$ 2,1 bilhões em benefícios de seguro-desemprego.
– R$ 4,7 bilhões relacionados ao encarceramento por crimes ligados ao jogo.

Leonardo, conhecido por suas qualidades como surfista e sushiman, sua vida mudou após ter um acidente que o deixou desempregado. Durante esse período difícil, ele começou a se envolver com jogos de azar, inicialmente ganhando, mas depois se afundando em dívidas.

Adriana só descobriu o vício do filho em abril de 2024. Ela chegou a contrair um empréstimo de R$ 10 mil para ajudá-lo a quitar suas dívidas. Depois de iniciar um tratamento, Leonardo parecia estar melhor. No entanto, a situação financeira da família piorou, impossibilitando o pagamento das terapias. De forma silenciosa, ele voltou a jogar.

### A Tragédia Familiar

O agravamento do problema se refletiu em seu comportamento: de um jovem alegre e brincalhão, passou a ficar nervoso e angustiado. Adriana sempre tinha um pressentimento de que algo estava errado. Em julho de 2024, enquanto tentava ajudar Leonardo a quitar mais uma dívida, ele expressou planos de viajar e recomeçar a vida.

Na manhã de 4 de agosto de 2024, a vida da família mudou para sempre. Adriana encontrou o filho sem vida em seu quarto. Para ela, a dor da perda é imensurável. Sua luta agora é para alertar outras famílias sobre os riscos das apostas e a necessidade de tratamento adequado.

Adriana continua denunciando publicidades de jogos online e sonha por regras mais rígidas para coibir a prática. Ela ressalta que muitos jovens são enganados pelas promessas de riqueza vinculadas às apostas.

### Impactos Psicológicos

A psicóloga especializada em dependência em jogo, Elizabeth Carneiro, destaca que a maioria dos jogadores possui outras condições de saúde mental e muitas vezes buscam ajuda apenas quando a situação financeira se torna insustentável. Sinais como gasto excessivo de tempo em jogos, distúrbios de humor e problemas financeiros são frequentes.

A solução envolve não apenas tratamento psicológico, mas também uma abordagem mais ampla em relação à publicidade de jogos. Especialistas defendem a necessidade de ações preventivas, como as que foram feitas em relação ao tabagismo, visando a proteção dos jovens.

Enquanto instituições públicas ainda lutam para oferecer suporte adequado a dependentes, iniciativas em algumas universidades já começam a surgir para oferecer assistência, mas há uma carência significativa de serviços especializados.

A situação de dependência em jogos, assim como outras formas de vício, requer atenção e ações que vão além do tratamento individual, incluindo avaliação cuidadosa dos impactos dessas práticas na sociedade. Com mais consciência sobre os riscos e maior acesso a tratamentos, espera-se reduzir os danos causados pelas apostas.

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