Mudança de Políticas nos EUA Permite Exportação de Chips Nvidia para a China
Na segunda-feira, o presidente dos EUA, Trump, anunciou uma grande mudança na política. A partir de agora, a Nvidia poderá retomar as exportações de seus poderosos chips de IA H200 para a China. Contudo, a venda desses chips vem acompanhada de uma taxa de 25%, que deverá ser paga diretamente ao Tesouro dos EUA.
Essa decisão representa uma mudança em relação à estratégia anterior do governo Biden, que focava em um bloqueio total às exportações. Agora, a ideia é estabelecer uma competição controlada, visando lucrar com a enorme demanda da China por tecnologia, enquanto se tenta desacelerar o avanço de concorrentes locais.
De acordo com as informações divulgadas, a Nvidia, junto com outras empresas como Intel e AMD, poderá vender o chip H200 a “clientes aprovados” na China. Embora o H200 seja um chip robusto, ele utiliza uma arquitetura mais antiga, chamada Hopper. Portanto, os chips mais avançados da Nvidia, como os Blackwell e Rubin, continuam proibidos de serem exportados.
Essa nova abordagem é uma evolução de uma estratégia que o governo americano vem desenvolvendo ao longo dos últimos meses. Em agosto, foi proposta uma ideia de divisão de receitas com uma taxa de 15% para chips de menor categoria. Agora, a elevação para 25% indica que a administração acredita conseguir um retorno maior pela venda dos chips mais potentes, sem afastar completamente os compradores chineses.
A decisão de abrir as exportações é menos uma questão de arrecadação de impostos e mais sobre recuperar influência no mercado. As proibições totais de exportação nos últimos dois anos não sufocaram a indústria de IA da China; ao contrário, permitiram que empresas locais ganhassem força rapidamente. A saída da Nvidia do mercado deixou espaço para que os campeões locais, como a Huawei, se tornassem dominantes.
Recentemente, a Huawei lançou seu processador Ascend 910C, que viraram um forte concorrente, apresentando desempenho similar ao dos chips da Nvidia. Isso se tornou especialmente preocupante quando várias grandes empresas de tecnologia começaram a migrar para a Huawei. Até outubro, a ByteDance, dona do TikTok, supostamente estava trocando os chips da Nvidia por chips da Huawei para treinar seus poderosos modelos de IA. Essa mudança pode acelerar a autossuficiência da China em tecnologia.
Ao injetar os chips H200 no mercado, que superam o Ascend 910C, mas são inferiores aos chips Blackwell exclusivos dos EUA, a intenção de Washington é recolocar as empresas chinesas na plataforma de software CUDA da Nvidia antes que elas migrem definitivamente para a Huawei.
Embora Wall Street tenha comemorado a decisão, com as ações da Nvidia subindo, o sucesso do acordo ainda está incerto. A Nvidia, que recentemente chegou a uma valorização de 5 trilhões de dólares, enfrenta um cenário regulatório complicado na China. No mês passado, houve um controle que praticamente excluiu a Nvidia de projetos de data center financiados pelo governo, fazendo com que sua participação nesse setor caísse para quase zero.
Uma das principais incógnitas agora é se a China permitirá que seus “clientes aprovados” paguem a taxa de 25% ao governo dos EUA. Apesar da questão fiscal, as empresas chinesas, que enfrentam escassez de potência computacional, podem não ter como recusar a oferta do H200.
As novas regras da China em relação aos chips de IA realmente barram toda a competição estrangeira, mas não proíbem completamente os contratos com empresas internacionais. Essa mudança exigirá que várias empresas estrangeiras revejam suas estratégias para continuarem atuando no mercado chinês.
Esse movimento ressalta a crescente tensão entre as potências mundiais e destaca a importância da tecnologia na luta pela supremacia econômica. O envolvimento e a dependência das empresas de tecnologia na oferta chinesa e no mercado americano são cada vez mais complexos.
Por fim, a situação continua em evolução, com diversas empresas e governos se ajustando a esse novo cenário. Para muitos, o impacto das decisões sobre os chips de IA se estenderá além do mercado imediato, afetando setores diversos e a competitividade global nos próximos anos.