04/02/2026
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EUA podem deixar a Organização Mundial da Saúde em breve

Os Estados Unidos devem sair oficialmente da Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta quinta-feira, 5 de janeiro, o que pode ter implicações sérias tanto para o país quanto para a saúde global. Esta decisão ocorre em um contexto de alerta sobre a importância da colaboração internacional em saúde pública. Os EUA têm uma dívida de aproximadamente 260 milhões de dólares com a OMS, referente a taxas que não foram pagas, o que contraria uma legislação americana que exige esse pagamento antes de uma possível saída da organização.

O presidente Donald Trump anunciou sua intenção de deixar a OMS logo no primeiro dia de seu mandato em 2025, por meio de um decreto. De acordo com as normas dos Estados Unidos, o país precisa notificar a OMS com um ano de antecedência sobre sua saída e regularizar todas as pendências financeiras.

Um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA afirmou que a falta de ação eficaz da OMS em situações de emergência levou a uma perda financeira de trilhões de dólares para o país. Como resultado, o governo federal decidiu cancelar a transferência de fundos e recursos para a organização. O porta-voz declarou que o povo americano já contribuiu o suficiente para a OMS e que a situação atual representa uma carga financeira excessiva.

Nos últimos meses, especialistas em saúde global, incluindo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediram para que os Estados Unidos reconsiderassem sua posição. Ele enfatizou, em uma coletiva de imprensa recente, que a saída dos EUA seria prejudicial tanto para o país quanto para o resto do mundo.

A OMS também informou que os Estados Unidos não cumpriram com os pagamentos devidos para os anos de 2024 e 2025. Este assunto será discutido durante uma reunião do conselho executivo da OMS em fevereiro.

Lawrence Gostin, diretor do Instituto O’Neill de Direito da Saúde Global da Universidade de Georgetown, destacou que a saída dos EUA da organização representa uma violação da lei americana, mas acredita que Trump pode conseguir evitar contabilizações legais a respeito.

Bill Gates, presidente da Fundação Gates, que financia projetos de saúde global e apoia o trabalho da OMS, expressou ceticismo quanto a uma possível reavaliação da situação pelos EUA em um futuro próximo. Ele enfatizou a necessidade da OMS e a importância de os Estados Unidos permanecerem envolvidos.

A saída dos Estados Unidos pode levar a uma grave crise orçamentária na OMS, uma vez que o país é o maior financiador da organização, respondendo por cerca de 18% do seu financiamento total. Em resposta a essa situação, a OMS já iniciou cortes em sua equipe de gestão e reduziu seu orçamento.

Os especialistas alertam que essa retirada pode representar riscos significativos para a saúde não apenas dos Estados Unidos, mas de todo o mundo. A epidemiologista Kelly Henning, da Bloomberg Philanthropies, afirmou que a saída dos EUA pode enfraquecer os sistemas internacionais que são cruciais para detectar e responder a ameaças à saúde global.

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