06/02/2026
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Evidências sobre cannabis para dor neuropática são insatisfatórias

Analisando uma revisão atual da Cochrane, fica claro que ainda não há provas concretas de que remédios à base de cannabis aliviem eficazmente a dor neuropática crônica. Apesar do interesse crescente por esses tratamentos, as evidências mais recentes não mostram redução confiável da dor em comparação ao placebo.

A dor neuropática crônica aparece quando os nervos são danificados, resultando em sintomas persistentes e difíceis de tratar. Os medicamentos padrões oferecem alívio significativo apenas para uma pequena parte dos pacientes. Isso tem gerado interesse em opções alternativas, como os remédios à base de cannabis. Esses produtos vão desde a cannabis natural até compostos específicos da planta, como o tetrahidrocanabinol (THC). Eles podem ser usados em várias formas, como produtos para inalar, sprays orais, comprimidos, cremes e adesivos.

Como a Evidência Foi Avaliada

Para entender como esses tratamentos funcionam, pesquisadores analisaram 21 ensaios clínicos com mais de 2.100 adultos. Nos estudos, os remédios à base de cannabis foram comparados a tratamentos placebo, com períodos que variaram de duas a 26 semanas.

Os produtos estudados se dividiram em três categorias principais. Alguns continham principalmente THC, o componente psicoativo da cannabis. Outros eram compostos na maior parte por canabidiol (CBD), um composto que não provoca intoxicação. A terceira categoria incluiu produtos equilibrados com quantidades semelhantes de THC e CBD.

Resultados Não Mostram Benefícios Reais em Relação ao Placebo

No geral, a revisão não encontrou evidências de alta qualidade que mostrassem que os remédios à base de cannabis reduzissem a dor neuropática de forma mais eficaz que o placebo. Embora alguns participantes que usaram produtos combinando THC e CBD relataram pequenas melhorias, essas mudanças foram consideradas muito pequenas para serem clinicamente relevantes.

As informações sobre efeitos adversos não foram bem relatadas entre os ensaios, dificultando a conclusão sobre a segurança dos produtos. A confiança geral nos dados sobre efeitos colaterais variou de baixa a muito baixa. Produtos que contêm THC foram associados a relatos aumentados de tontura e sonolência, e pode ter havido um número maior de participantes que pararam o tratamento devido a esses efeitos.

Pesquisadores Pedem Estudos Melhores

Os pesquisadores estão alertando que precisamos de estudos maiores e bem estruturados, com duração de tratamento de pelo menos 12 semanas, incluindo pessoas com doenças físicas e condições de saúde mental. Isso é crucial para entender melhor os benefícios e riscos dos remédios à base de cannabis, como enfatiza Winfried Häuser, médico e autor principal da pesquisa.

Atualmente, a qualidade da maioria dos ensaios é muito baixa para se tirar conclusões definitivas. Os autores da pesquisa concluem que as evidências disponíveis ainda são fracas e incertas, sublinhando a necessidade de pesquisas de maior qualidade antes que os remédios à base de cannabis possam ser recomendados para quem vive com dor neuropática crônica.

Portanto, enquanto o interesse pelo uso da cannabis como tratamento cresce, a comunidade científica ainda precisa de mais dados. Isso inclui entender como e se esses produtos podem realmente ajudar. A complexidade da dor crônica e a variação nas respostas dos pacientes exigem que mais estudos sejam realizados para que se possa ter uma visão clara do papel da cannabis nesse contexto.

Em resumo, a pesquisa atual não suporta o uso de medicamentos à base de cannabis para alívio da dor neuropática crônica. Até que mais evidências robustas sejam apresentadas, é prudente que pacientes e profissionais de saúde mantenham uma postura cautelosa em relação a esses tratamentos. A busca por soluções eficazes continua, e um entendimento mais profundo da cannabis e seus efeitos será fundamental nos próximos anos.

À medida que mais estudos são realizados e novas informações surgem, espera-se que a ciência possa oferecer respostas concretas e seguras para aqueles que sofrem com dores crônicas. Essa é uma jornada que pode levar tempo, mas a esperança é que boas soluções apareçam no horizonte, ajudando muitos que enfrentam esse desafio diariamente.

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