A nova tendência nas redes sociais, chamada “2026 é o novo 2016”, tem despertado o interesse de muitos ao incentivar a comparação entre fotos de famosos atuais e imagens de aproximadamente dez anos atrás. Essa prática, que mistura nostalgia e curiosidade, acaba gerando muitos comentários sobre mudanças na aparência e nos procedimentos estéticos que essas personalidades podem ter feito ao longo do tempo.
Embora essa tendência traga uma sensação de saudade de tempos passados, ela também tem gerado críticas a intervenções estéticas que são consideradas exageradas. O cirurgião plástico Yuri Moresco comenta que, apesar da alta demanda por harmonização facial, há uma crescente busca por resultados mais naturais. “Quando a intervenção altera muito o rosto, o público estranha, porque parece que a identidade da pessoa se perdeu”, diz ele.
Segundo Moresco, o problema não está na técnica em si, mas na sua aplicação. Para ele, uma boa harmonização facial deve respeitar as proporções e a estrutura natural do rosto, evitando exageros que acabam chamando a atenção de forma negativa.
A cirurgiã-dentista Amanda Santos, especialista em harmonização facial, reforça que os padrões de beleza mudaram. Atualmente, o foco é manter a autenticidade, realizando intervenções menores e de forma mais gradual. Ela ressalta que o objetivo é fazer com que a pessoa se sinta bem, e não parecer que passou por procedimentos estéticos.
Além das questões estéticas, essa tendência também traz implicações emocionais. A psiquiatra Jessica Martani ressalta os efeitos prejudiciais das comparações constantes nas redes sociais. Segundo ela, a idealização do passado pode levar a uma sensação de frustração e perda, especialmente para aqueles que já enfrentam dificuldades emocionais. “Se a pessoa não lida bem com comparações, qualquer tendência pode se tornar um gatilho”, alerta.
A psicóloga Mariane Pires Marchetti complementa essa visão, afirmando que a nostalgia pode ter um efeito ambíguo. Embora possa reforçar a identidade, ela se torna problemática quando alguém começa a acreditar que “o melhor já passou”, o que pode impedir essa pessoa de investir no presente.
O efeito das mudanças no rosto também afeta a comunicação das figuras públicas. Jackeline Georgia, especialista em oratória, observa que muitos famosos se sentem pressionados a se expressar com mais cuidado, buscando uma conexão mais genuína com o público. Ela aponta que mudanças exageradas podem interferir até na comunicação não verbal, já que expressões faciais limitadas impactam na naturalidade da fala.
Os especialistas concordam que essa trend reflete uma mudança nos valores da sociedade. Antes, rostos padronizados eram exaltados; agora, cresce o interesse por autenticidade e aceitação do envelhecimento. Para Amanda Santos, isso significa que a estética responsável acompanha a vida de cada um, respeitando a história presente em cada rosto.
A popularidade do “2026 é o novo 2016” demonstra que o debate sobre imagem, envelhecimento e exposição continua relevante. Com a troca de curtidas, críticas e comparações, o foco em naturalidade, equilíbrio e saúde emocional aparece cada vez mais como uma prioridade nas discussões atuais.