08/02/2026
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Gastos de saúde elevam inflação para população acima de 60 anos

Inflação Afeta Severamente Idosos no País

A inflação que afeta os brasileiros com 60 anos ou mais apresentou uma leve desaceleração em novembro, mas isso não traz alívio significativo para essa faixa etária. O Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC 60+), medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), apontou um aumento de apenas 0,05% no mês passado. Na comparação, o índice geral subiu 0,20%. No entanto, os idosos continuam a sofrer um aumento maior em seu custo de vida, especialmente em áreas essenciais como saúde e cuidados pessoais.

Ao longo de 2025, o IPC 60+ acumulou alta de 3,85%, enquanto o índice geral ficou em 3,51%. Nos últimos 12 meses, a diferença é ainda mais acentuada: 4,24% contra 3,85%. Esses números ilustram como a inflação impacta desigualmente a população idosa em comparação com outras faixas etárias.

O principal responsável pela alta nos preços para este grupo é o setor de saúde. Nos últimos 12 meses, os preços de serviços médicos e medicamentos subiram 8,41%. Guilherme Moreira, coordenador do IPC 60+, explica que essa população utiliza mais serviços de saúde, o que os torna vulneráveis a reajustes acima da média.

Apesar da leve queda nos preços de alguns alimentos e da conta de energia, essa melhora é considerada temporária e não suficiente para compensar os aumentos já ocorridos ao longo do ano. A alimentação, medicamentos e o cuidado pessoal continuam a pressionar o orçamento dos idosos.

José Valdivia, um médico aposentado de 82 anos, relata que, após a aposentadoria, a sua renda diminuiu significativamente, tornando despesas que antes eram administráveis em sacrifícios. Ele menciona que cerca de 40% de seus ganhos vão para medicamentos e plano de saúde. Outros idosos compartilham experiências semelhantes, como Gilda Gonçalves Passos, de 83 anos, que enfatiza o alto custo de remédios, e Maria Helena de Oliveira, de 81 anos, que enfrenta gastos com fraldas e absorventes.

Os convênios de saúde são frequentemente citados como um dos maiores responsáveis pelas despesas. Marisa Garcia Lamarão, de 78 anos, afirma que metade da sua renda mensal vai para a mensalidade do plano de saúde, e muitos idosos sentem que os preços deveriam ser reduzidos à medida que envelhecem.

Outro problema crescente é a vulnerabilidade dos idosos a golpes financeiros, que têm aumentado em meio à digitalização dos serviços. O país registra o maior número de crimes cibernéticos voltados para essa faixa etária. Valdivia, por exemplo, foi vítima de um golpe em que criminosos se passaram por sua filha, solicitando um pagamento por meio do aplicativo de transferência de dinheiro. Outras vítimas também têm relatos de perdas financeiras similares.

Gleisson Rubin, diretor do Instituto de Longevidade, destaca que a falta de familiaridade dos idosos com a tecnologia os torna alvos fáceis. Em resposta a essa situação, o Instituto lançou uma websérie chamada “Digital sem Medo”, com vídeos educativos sobre como lidar com a tecnologia de forma segura.

Os beneficiários de programas governamentais, embora reconheçam ajuda, veem as iniciativas como insuficientes para lidar com os desafios enfrentados. Muitas políticas sociais, como transporte público gratuito ou meia-entrada em eventos culturais, são consideradas inadequadas, especialmente para aqueles com limitações físicas.

A falta de planejamento financeiro durante a vida também é um tema recorrente entre os entrevistados. Muitos lamentam a insuficiência da aposentadoria, notando que os preços elevados diminuem rapidamente seu poder de compra. A realidade financeira dos idosos no país é, portanto, marcada por um ciclo de desafios que requer atenção e soluções adequadas.

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