08/02/2026
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Gastos do Ministério da Saúde com judicializações dobrou desde 2020

Os gastos do Ministério da Saúde com judicializações, que são pedidos de medicamentos feitos por meio da Justiça, tiveram um aumento significativo nos últimos anos. De 2020 a 2022, esses gastos saltaram de R$ 1 bilhão para R$ 2,6 bilhões, conforme dados do governo. Esse valor representa uma preocupação para a pasta, pois cresce continuamente e pode comprometer a sustentabilidade das políticas públicas de saúde.

Esses gastos se referem apenas ao que é utilizado para comprar medicamentos que não estão incluídos no Sistema Único de Saúde (SUS), geralmente após os pacientes recorrerem ao Judiciário para garantir o acesso aos tratamentos indicados por seus médicos. Por exemplo, em 2024, o medicamento Zolgensma, que é o mais caro do mundo e serve para tratar a Atrofia Muscular Espinhal (AME) em crianças, gerou um custo de R$ 170 milhões.

Os dados de gastos anuais são os seguintes:
– 2024: R$ 2,66 bilhões
– 2023: R$ 2,22 bilhões
– 2022: R$ 1,59 bilhão
– 2021: R$ 1,47 bilhão
– 2020: R$ 1,02 bilhão

Em comparação, a soma dos gastos dos últimos dois anos supera o total do orçamento do Programa Farmácia Popular, que é de R$ 4,2 bilhões.

O ministério afirma que a imprevisibilidade das demandas judiciais traz desafios para o planejamento de compras e a logística de execução. Para lidar com essa situação, o ministério firmou um Acordo de Compartilhamento de Risco com a empresa que produz o Zolgensma. Esse acordo, assinado em março, permite que o pagamento ao fabricante esteja vinculado aos resultados clínicos dos pacientes tratados com o medicamento.

Além disso, o ministério está buscando diferentes estratégias de acesso aos medicamentos, envolvendo o Poder Judiciário, o Ministério Público e a indústria farmacêutica, com objetivo de encontrar soluções sustentáveis para o problema.

Embora se tenha questionado sobre a economia gerada através dessa parceria com a empresa Novartis, o ministério explicou que detalhes financeiros do contrato são confidenciais por um prazo de cinco anos.

Essas informações destacam a crescente pressão financeira sobre o sistema de saúde pública e evidenciam a complexidade das questões que envolvem o acesso a medicamentos essenciais para a população.

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