Resumo
Pesquisas recentes mostram que o risco de demência pode ser melhor previsto ao combinar a vulnerabilidade genética com marcadores de doenças cardiovasculares. Isso revela uma forma mais precisa de identificar quem tem maior chance de desenvolver a condição. Embora genes, como o APOE4, e o histórico familiar tenham grande influência, fatores modificáveis, como hipertensão, obesidade e diabetes, também são importantes.
Pessoas com múltiplos fatores de risco se mostraram muito mais propensas a progredir de cognição normal ou leve comprometimento cognitivo para demência durante o estudo de seis anos. Esses resultados destacam a importância de tratar fatores vasculares e de estilo de vida desde cedo, oferecendo uma maneira de prevenir a demência, mesmo para aqueles com risco genético elevado.
Fatos Chave
- Riscos Combinados Aumentam o Perigo: Cada fator genético ou cardiovascular adicional aumenta significativamente a probabilidade de desenvolver demência.
- Fatores Modificáveis Importam: Hipertensão, diabetes, obesidade e comportamentos de vida podem diminuir parte da vulnerabilidade genética de uma pessoa.
- Ação Precoce é Fundamental: Intervenções nas fases iniciais, quando a cognição ainda está intacta, podem atrasar ou até prevenir os sintomas.
A combinação de risco genético com fatores de risco cardiovascular, como colesterol LDL alto, obesidade e hipertensão, pode prever quem está mais propenso a desenvolver demência, segundo um estudo de um grupo de pesquisa da Universidade da Califórnia, em São Francisco.
Essa visão expandida traz esperança para quem está preocupado com a demência. Os genes representam cerca de metade do risco de desenvolver a doença e não podem ser alterados, enquanto a outra metade é influenciada por fatores, como isolamento social, perda auditiva não tratada e sedentarismo, que podem ser abordados.
“Na doença de Alzheimer, pode haver várias doenças vasculares envolvidas, como hipertensão e diabetes”, comenta a pesquisadora Shea Andrews, PhD. “Se você fizer mudanças de estilo de vida e controlar doenças como essas, pode reduzir os danos ao cérebro, atrasando ou até prevenindo os sintomas”.
O estudo, financiado pelo Centro Nacional de Coordenação do Alzheimer, analisou dados de cerca de 3.500 adultos que participaram de estudos anteriores sobre Alzheimer.
A média de idade do grupo era de 75 anos e, no início do estudo de seis anos, nenhum dos participantes tinha demência, mas cerca de 1 em cada 4 apresentava comprometimento cognitivo leve (CCL), que geralmente precede a demência. Ao final do estudo, 1 em cada 7 havia falecido e 1 em cada 4 dos sobreviventes com cognição normal ou CCL havia avançado para demência.
Os pesquisadores identificaram que o risco era afetado por quatro fatores principais:
- Ter um pai ou irmão com demência.
- Herdar pelo menos uma cópia de um gene chamado APOE4, fortemente associado ao Alzheimer.
- Ter uma pontuação de risco poligênico alta, que reflete muitos efeitos genéticos menores.
- Ter uma alta pontuação de risco cardiovascular.
Os cientistas também buscaram mutações raras associadas à Alzheimer de início precoce, mas nenhum dos participantes apresentava essas mutações.
Quanto mais fatores de risco uma pessoa tinha, maior era a chance de desenvolver demência. Um fator aumentava o risco em 27%; dois fatores, em 83%; três, em 100%; e quatro fatores, aumentavam o risco em cinco vezes.
“Antes, não tínhamos uma abordagem de medicina de precisão para ajudar os pacientes a reduzir os riscos modificáveis, porque a Alzheimer não podia ser diagnosticada ou tratada”, afirma Andrews. “Agora temos tratamentos que podem retardar a progressão da doença, especialmente em seu estágio mais precoce, que pode ser identificado com um teste de sangue ou um tipo de imagem cerebral chamada PET scan”.
Ele acrescenta que os dados genéticos relacionados à demência devem estar mais disponíveis nos próximos anos. “Um cenário ideal seria um paciente compartilhando suas preocupações sobre demência com seu médico após o diagnóstico de um pai”, sugere ele. “O médico discutiria os dados genéticos e colaboraria com o paciente em maneiras de reduzir os riscos modificáveis”.
Uma maior conscientização sobre o papel de fatores não genéticos pode ajudar aqueles que correm um risco aumentado de desenvolver demência. “Acho que focar no que os pacientes podem controlar dá a eles um senso de autonomia”, diz Kristine Yaffe, MD, que investiga os fatores de risco modificáveis na demência e é uma das autoras principais do estudo. “Isso permite que tomem medidas proativas, em vez de esperar pelos sintomas”.
Perguntas Frequentes Respondidas
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Como os riscos genéticos e cardiovasculares se combinam para influenciar a probabilidade de demência?
- Criam um perfil de risco cumulativo, onde múltiplos fatores aumentam significativamente a chance de desenvolver demência.
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Quais fatores preveem mais fortemente a progressão de cognição normal ou CCL para demência?
- A história familiar, o status do APOE4, a pontuação de risco poligênico e o risco cardiovascular são fatores significativos.
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Modificações no estilo de vida ou na saúde cardiovascular podem reduzir o risco de demência?
- Sim, melhorar a saúde vascular e lidar com comportamentos modificáveis pode atrasar ou até prevenir os sintomas.
As descobertas desse estudo ressaltam a importância de um enfoque holístico na saúde mental, levando em conta tanto os fatores genéticos quanto os comportamentais. Isso pode fornecer uma base sólida para campanhas de conscientização que visem a prevenção da demência. É fundamental que, ao perceber sinais de risco, as pessoas busquem ajuda e comecem a implementar mudanças positivas em suas vidas.