02/04/2026
@»wtw19 TECH»Geração Z troca smartphones por tendência analógica chamada “friction maxxing”

Geração Z troca smartphones por tendência analógica chamada “friction maxxing”

O que é “Friction Maxxing”?

Nos últimos tempos, a geração Z está dando uma nova cara à maneira como lidamos com a tecnologia, um fenômeno que está sendo chamado de “friction maxxing”. Essa ideia sugere que as pessoas devem fazer um esforço consciente para incluir desafios, ou “fricções”, em suas vidas diárias.

Com a ajuda de smartphones, aplicativos como Amazon, Uber, YouTube e TikTok, nossa rotina se tornou muito fácil. Basta tocar na tela para pedir comida, encontrar um amor ou até escrever um texto. Essa facilidade, no entanto, tem suas consequências.

Nos últimos 15 anos, as inovações tecnológicas tornaram a vida mais automatizada. Com um simples toque, tudo parece estar à nossa disposição. Porém, a geração Z está começando a questionar esse estilo de vida. Eles estão se afastando das telas e incentivando umas às outras a interagir mais fisicamente.

O significado do termo “Friction Maxxing”

O termo popularizou-se com um ensaio de Kathryn Jezer-Morton, que viralizou na internet. Nele, Kathryn explica que “friction maxxing” não é só reduzir o uso de telas, mas também aprender a lidar com as pequenas inconveniências do cotidiano. Isso inclui, por exemplo, esperar na fila ou se perder, situações que são normais para quem vive em sociedade.

A escritora critica as empresas de tecnologia por nos fazerem sentir que a vida é cheia de dificuldades e que a única maneira de escapar disso é através de dispositivos digitais. Ela sugere que, às vezes, viver nesta “zona de conforto” digital pode nos impedir de aproveitar experiências reais, como escrever à mão uma lista de compras ou sair para fazer uma trilha.

Desde que essa ideia se espalhou, muitos podcasts e vídeos nas redes sociais têm abordado o tema. Algumas pessoas optam por se desconectar completamente, abandonando seus smartphones para voltar a interagir de forma mais “analógica”.

O caso de Lilah e sua “dumbphone”

Um exemplo interessante é o de Lilah, uma mulher que decidiu dar um basta na sobrecarga de estímulos que sua vida digital proporcionava. Ela trocou seu smartphone por uma “dumbphone”, um celular simples que não tem muitos aplicativos ou acesso à internet, apenas a capacidade de se conectar a Wi-Fi.

Lilah disse que queria reparar sua saúde mental, que estava sendo afetada nesse fluxo constante de coisas para ver e fazer online. E Lilah não está sozinha nessa; muitos jovens compartilham a mesma vontade de voltar a um estilo de vida mais simples.

Uma amiga de Lilah, que também está insatisfeita com sua tela, confessou que embora tenha vontade de se desconectar, sente medo do que essa mudança pode trazer. A ideia de ficar sem um smartphone pode parecer aterrorizante para muitos. Afinal, essas ferramentas se tornaram tão comuns em nosso dia a dia que ficamos inseguros em abrir mão delas.

O tempo nas telas

Os números mostram que essa preocupação é válida. Dados recentes indicam que a média de tempo que os jovens passam em telas ultrapassa 7 horas por dia, representando quase 43% do tempo em que estão acordados. Essa dependência desperta alarmes, e países como Malásia e Austrália já implementaram restrições para o uso das redes sociais por adolescentes. Outros países estão considerando fazer o mesmo.

Além disso, o autor britânico Paul Kingsnorth lançou um livro que se tornou best-seller, empurrando essa discussão ainda mais para frente. No seu livro, ele traz à tona a ideia de que estamos todos imersos em um “matrix cultural-tecnológica”, sugerindo que essa conexão intensa com a tecnologia não é necessariamente um ponto positivo.

O retorno das fricções

Ao trazer de volta essas pequenas dificuldades ao cotidiano, a geração Z está percebendo que o caminho mais fácil nem sempre é o melhor. O conceito de “friction maxxing” nos ensina que viver plenamente envolve alguns desafios e que, ao fugir deles, podemos perder experiências valiosas.

Por meio dessa nova abordagem, muitos jovens estão redescobrindo a alegria de momentos simples: pegar um ônibus onde precisa esperar, aproveitar um café enquanto observa as pessoas ou fazer uma caminhada no parque sem a distração de um celular.

O impacto nas relações sociais

Essa mudança está afetando também as relações interpessoais. Em vez de se conectar apenas através de mensagens e redes sociais, a nova geração está buscando se encontrar cara a cara, dialogar, rir e criar memórias. Esse movimento de redescobrir o valor da presença física é algo muito positivo.

Fazer novas amizades, se aprofundar nas que já existem e aproveitar o tempo com a família sem a interrupção constante de notificações faz bem para a saúde mental e emocional. A ideia é balancear as interações digitais com momentos mais significativos e reais.

Como podemos praticar “Friction Maxxing”?

Se você ficou curioso sobre como aplicar o “friction maxxing”, a primeira dica é começar devagar. Tente reservar períodos do dia sem o celular. Isso pode ser durante as refeições ou mesmo ao longo de um passeio.

Outra estratégia é optar por alternativas mais manuais. Em vez de usar aplicativos de entrega, que tal preparar uma refeição do zero? Ou então, ao invés de ver vídeos de DIY, por que não tentar fazer uma atividade artesanal com as próprias mãos? Isso proporciona uma sensação de realização e foco.

Além disso, vale a pena aproveitar atividades que envolvam aguardar. Você pode optar por ler um livro na fila do banco, ou talvez escrever à mão, algo que não fazemos com frequência hoje em dia. Essas pequenas mudanças podem ter um grande impacto.

Uma jornada pessoal

Em suma, o “friction maxxing” não é uma moda passageira, mas sim uma busca por um estilo de vida mais equilibrado e significativo. Trocar experiências digitais por interações físicas é um movimento em direção a uma vida mais autêntica.

Por isso, que tal embarcar nessa jornada? Experimente se desconectar e recarregar suas energias com as pequenas fricções da vida real. Você pode descobrir um mundo novo e emocionantes lições nas coisas simples do dia a dia.

A realidade é que, voltando a se conectar com o presente, podemos nos surpreender com o impacto positivo em nossa vida social e emocional. É hora de dar um passo atrás e redescobrir a beleza das experiências cotidianas.

Sobre o autor: suporte

Ver todos os posts →