A indústria solar da China encerrou 2025 enfrentando grandes dificuldades, e relatórios recentes mostram o tamanho dos problemas. Após anos de crescimento rápido e redução de preços, o maior centro de fabricação de painéis solares do mundo está lidando com perdas, mesmo com um aumento nas instalações.
Grandes fabricantes solares da China, como Longi, Trina Solar, Tongwei, JA Solar e TCL Zhonghuan, preveem que as perdas líquidas combinadas poderão chegar a 38,4 bilhões de yuans, cerca de 5,5 bilhões de dólares. Isso deve ser confirmado com a divulgação dos resultados financeiros no fim do ano.
Mesmo o valor mais baixo dessas perdas será maior do que o recorde anterior do setor em 2024. Isso mostra que a indústria não teve alívio no ano passado. A capacidade instalada de energia solar na China aumentou para cerca de 1,16 terawatts até o final de 2025, uma alta de mais de 40% em relação ao ano anterior.
Por outro lado, a produção de painéis continuou a crescer mais rápido do que a demanda. Os fabricantes correram para aumentar a capacidade a fim de conquistar participação de mercado e apoiar as metas de energia renovável do governo. No entanto, o excesso de oferta fez com que os preços dos painéis ficassem baixos durante a maior parte do ano. Hoje, a China é responsável por cerca de 80% da produção global de painéis solares, mas a competição acirrada reduziu o poder de precificação, tanto no mercado interno quanto no internacional.
Um fator que complicou a situação em 2025 foi o aumento brusco nos custos, especialmente com a prata. Esse metal é usado em forma de pasta para fazer contatos elétricos nos painéis solares. O preço da prata mais que triplicou no último ano, chegando a mais de 90 dólares a onça. Atualmente, ele representa quase 30% do custo total de um painel, comparado a apenas 3,4% em 2023, o que pressionou as margens de lucro das empresas.
Os fabricantes têm tentado elevar cautelosamente os preços dos painéis e buscam formas de reduzir o uso de prata, como a mudança para metais mais baratos. Entretanto, repassar os custos para os clientes é arriscado em um mercado que ainda sofre com excesso de oferta. Além disso, barreiras comerciais e o fim dos reembolsos fiscais de exportação da China para produtos fotovoltaicos aumentam a pressão sobre as empresas.
Esse cenário fez com que aumentasse a atenção sobre a campanha do governo chinês, denominada “anti-involução”. Esta iniciativa visa frear guerras de preços destrutivas e controlar a capacidade excessiva. As empresas estão buscando maneiras de se consolidar e melhorar a disciplina na produção. Entretanto, as autoridades advertiram contra qualquer coordenação que possa levar a comportamentos monopolistas.
Ao iniciar 2026, fica claro que a indústria solar da China não está diminuindo em escala, mas os lucros fáceis acabaram. As perdas esperadas para 2025 estabelecem um novo padrão, e a grande questão é se os fabricantes conseguirão estabilizar a produção neste ano ou se o cenário ainda pode piorar.
Neste cenário desafiador, as empresas devem encontrar um equilíbrio para navegar em um mercado repleto de incertezas. O futuro é incerto, mas a necessidade de inovação e adaptação se torna cada vez mais urgente caso queiram recuperar a estabilidade e a rentabilidade.
Os principais fabricantes de painéis solares devem se concentrar em reduzir custos, melhorar eficiência e criar novos produtos que atendam às mudanças na demanda do mercado. Essa estratégia pode ajudar a reverter a queda de lucro e criar um ambiente mais sustentável para o setor.
Além disso, as mudanças nas regulamentações e incentivos governamentais também são um fator crucial. Ter um apoio do governo em termos de subsídios e medidas para promover a energia solar ajudaria na recuperação do setor. As políticas públicas podem ser a chave para que a indústria consiga se reinventar e se fortalecer.
É necessário que as empresas invistam em pesquisa e desenvolvimento, buscando novas tecnologias e práticas que podem reduzir custos e aumentar a eficiência. Inovações nesse campo podem fazer toda a diferença na competitividade dos fabricantes, tanto no mercado interno quanto no exterior.
Além disso, o reforço da colaboração entre as indústrias e os órgãos reguladores pode criar um ambiente mais estável. Essa parceria pode ser útil na criação de um setor que atenda às crescentes necessidades de energia limpa, ao mesmo tempo em que respeita as normas ambientais.
Em resumo, apesar de um ano difícil, a indústria solar da China continua a crescer em termos de capacidade. O desafio será se adaptar a um mercado mais complexo e competitivo, mantendo a sustentabilidade e buscando novas oportunidades.
Enquanto isso, as empresas devem estar atentas às tendências globais de energia e adaptação às demandas dos consumidores. Esse ajuste pode ser essencial para que o setor permaneça relevante e rentável no futuro.
Em um mundo cada vez mais preocupado com a sustentabilidade e as energias renováveis, a China possui um papel importante a desempenhar. Investir em um futuro verde pode não só resultar em ganhos financeiros, mas também contribuir para o bem-estar do planeta.
A indústria solar tem potencial, mas precisa de estratégia e inovação para superar os desafios atuais. Assim, será possível transformar dificuldades em oportunidades e garantir um futuro próspero para o setor solar chinês e, consequentemente, para o mundo.