Cientistas estão intrigados com uma recente descoberta feita no fundo do mar, que pode fornecer pistas sobre a origem da vida na Terra. Florence Schubotz, geoquímica orgânica da Universidade de Bremen, na Alemanha, ressaltou a importância desses achados. Ela explica que a investigação de habitats microbiológicos como esse é emocionante, uma vez que se suspecta que a vida primordial possa ter surgido em ambientes similares.
Ainda em fase de análise, os pesquisadores buscam entender como esses microrganismos conseguem viver em condições consideradas extremamente hostis. Schubotz menciona que é surpreendente que a vida possa existir em ambientes com pH elevado e baixíssimas concentrações de carbono orgânico.
A descoberta ocorreu durante uma expedição em 2022, realizada a bordo do navio R/V Sonne. Os cientistas coletaram amostras que apresentaram uma substância viscosa contendo minerais como serpentinito e brucita. Esses minerais foram importantes para entender a coloração azulada da gosma e suas propriedades químicas.
Além disso, a presença de vida foi confirmada pela identificação de lipídios, que são moléculas de gordura encontradas nos sedimentos. Esses lipídios fazem parte das membranas celulares dos microrganismos e atuam como uma proteção contra as condições alcalinas extremas do ambiente, indicando que esses seres são altamente especializados.
Os estudos sugerem que esses microrganismos geram energia por meio de um processo chamado metanogênese, que envolve o consumo de sulfato e a liberação de sulfeto de hidrogênio. Até agora, a existência de microrganismos produtores de metano nesse sistema era apenas uma suposição, mas agora pode ser confirmada diretamente por meio dessas análises.
Esses achados não apenas nos ajudam a entender a vida nas profundezas do oceano, mas também levantam questões sobre como a vida pode ter se desenvolvido em condições adversas na Terra primitiva.