05/02/2026
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Guarda civil de São Bernardo acolhe crianças com autismo

Cuidar de uma pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode ser um desafio constante. Para os familiares, a rotina muitas vezes envolve trabalhar para evitar situações inesperadas. Isso inclui fazer ajustes no ambiente e ficar atento a gatilhos que, para outras pessoas, parecem inofensivos, mas podem ser muito perturbadores.

Alguns exemplos desses gatilhos são luzes muito fortes, barulhos altos ou mudanças repentes de rota. Esses estímulos podem gerar grande desconforto e ansiedade em crianças com autismo.

Um incidente que ilustra essa realidade ocorreu em São Bernardo do Campo, durante a madrugada. Um portão se abriu e uma criança saiu, sozinha. Essa criança não conseguia se comunicar para dizer quem era ou onde morava, sendo uma criança com autismo não verbal.

Essa situação poderia ter terminado em tragédia, mas na verdade se transformou em uma importante lição sobre empatia e cuidado.

A equipe da Guarda Civil Metropolitana (GCM) percebeu a criança caminhando na Avenida Piraporinha e reconheceu seu estado de vulnerabilidade. O Centro de Controle Operacional (CCO) foi acionado, e a GCM 3ª Classe Dayana foi enviada ao local.

A primeira tentativa foi colocar a criança na viatura, mas ela resistiu, tomada pelo pânico. Dayana compreendeu que era essencial respeitar o tempo da criança. O que ela fez foi caminhar ao lado da criança durante quatro quilômetros, de mãos dadas. As viaturas a seguir foram mantidas em silêncio, respeitando aquele passo lento, mas protegido.

### A Importância da Escolha

Essa escolha de acolhida foi decisiva. Embora nem todas as situações permitam uma abordagem tão gentil, há momentos em que optar por acolher pode evitar que uma experiência se torne um trauma. Dayana se focou em fazer a criança se sentir segura, e essa atitude teve um grande impacto.

A imagem da guarda caminhando de mãos dadas com a criança foi um verdadeiro exemplo de presença, escuta e respeito. Isso tudo é essencial, especialmente para quem vive com o TEA, onde a compreensão nas reações diante do mundo é rara e muito valiosa.

### Atendimento Humanizado Exige Preparação

Esse episódio reforça a necessidade urgente de preparar as forças de segurança pública para atender pessoas com deficiência, especialmente aquelas com autismo. Não se trata apenas de boa vontade, mas de formação contínua e protocolos adequados de abordagem.

Os profissionais devem saber identificar comportamentos não convencionais, ajustar sua comunicação e encontrar maneiras de respeitar as necessidades da pessoa atendida. O reconhecimento de que cada indivíduo é único pode transformar a maneira como situações difíceis são resolvidas.

A vigilância atenta, que cuida sem invadir e observa sem julgar, pode evitar tragédias e salvar vidas, como ocorreu naquela noite em São Bernardo.

Embora a escuridão da madrugada tenha trazido insegurança, a criança conseguiu voltar para casa, não apenas em segurança física, mas também com amparo emocional. O cuidado genuíno fez toda a diferença naquela situação.

Gostaria de enviar um grande abraço e todo meu respeito à equipe da GCM de São Bernardo, especialmente à GCM 3ª Classe Dayana, pelas ações que resultaram numa abordagem tão sensível e eficaz.

Cuidar de pessoas com TEA exige mais do que informação: é preciso empatia e um olhar atento. Cada interação pode impactar a vida da pessoa atendida de maneira significativa. Portanto, é fundamental que aqueles que atuam na segurança pública estejam preparados para lidar com essas situações de forma humana e compassiva.

Essa experiência nos ensina que um gesto simples, como caminhar ao lado de alguém e oferecer apoio, pode ter um efeito profundo. Não devemos subestimar o poder de ações que, à primeira vista, podem parecer pequenas, mas que, na verdade, são enormes em significado.

Quando se trata de cuidar de pessoas com autismo, há sempre algo valioso a aprender. Cada pequena conquista e cada gesto de compreensão são passos importantes nesse caminho.

Seguir essa linha de pensamento pode fazer toda a diferença na vida de muitas pessoas. A compaixão e a contínua busca por conhecimento devem estar sempre presentes. Assim, podemos tornar o mundo um lugar melhor e mais acolhedor para todos.

No fim, cuidar de alguém com TEA é um aprendizado diário sobre paciência e empatia. As experiências vividas, como a daquela madrugada em São Bernardo, são uma oportunidade de refletir sobre a importância de respeitar as diferenças e valorizar cada ser humano, independentemente de suas limitações ou capacidades.

Um abraço a todos e até a próxima!

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