21/04/2026
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Heleno Corrêa: há controle social na saúde?

Controle Social da Saúde: Novas Medidas do SUS

O Ministério da Saúde do governo brasileiro lançou uma série de programas destinados a melhorar o acesso aos serviços de saúde. Entre as iniciativas mais destacadas estão esforços para reduzir as filas de exames e cirurgias em 2023, aumentar a disponibilidade de especialistas em 2024 e introduzir novos tratamentos cirúrgicos e oncológicos em 2025, dentro do programa chamado “Agora Tem Especialistas” (PATE).

Esse programa busca utilizar uma abordagem inovadora para financiar tratamentos e exames. Em vez de gastar novos recursos, permitirá que instituições de saúde privadas que possuem débitos com o Sistema Único de Saúde (SUS) ofereçam esses serviços em troca da compensação de suas dívidas. Essa ação foi regulamentada pela Lei Federal 15.233, que estabelece as condições para essa troca.

É importante esclarecer que o PATE não se configura como uma Parceria Público-Privada (PPP). Enquanto as PPPs envolvem uma colaboração mais complexa entre o setor público e o privado, o foco do PATE está na troca de créditos e dívidas por serviços. O gerenciamento desse programa ficará a cargo de um órgão chamado AGESUS, que será operado pelo Grupo Hospitalar Conceição, uma entidade pública que integra o SUS.

A dificuldade em implementar essas políticas de maneira eficaz é um desafio constante. O SUS enfrenta limitações históricas em infraestrutura e na quantidade de profissionais de saúde qualificados. Para corrigir essas falhas, o governo precisa atuar diante de pressões políticas e econômicas que, muitas vezes, se opõem ao aumento do financiamento na saúde.

Um elemento preocupante é que muitas vezes os recursos são desviados em favor de isenções fiscais para grandes empresas e investidores, enquanto as áreas de saúde e educação enfrentam cortes orçamentários. Essa situação é agravada por lobbies fortes que influenciam decisões no Congresso e nas Agências Reguladoras.

Defensores do SUS, que acreditam em um sistema público e de qualidade, estão fragmentados. Enquanto alguns aceitam a ideia de peças da gestão pública serem terceirizadas, outros se opõem a qualquer forma de privatização, o que gera disputas internas e prejudica ações efetivas nesse setor.

Nos programas recentes do SUS, como o “Mais Médicos” e o “Mais Acesso a Especialistas”, a resistência de setores que se opõem ao SUS gerou debates acalorados e críticas. A falta de consenso dificulta a implementação de medidas que poderiam beneficiar aqueles que mais precisam.

Apesar dos esforços, permanecem várias questões em aberto. A capacidade do Estado em regular e controlar a qualidade dos serviços prestados ainda é limitada, especialmente quando a maior parte da infraestrutura de saúde é privada. Isso levanta preocupações sobre a transparência e a eficácia da troca de NHS (Serviços de Saúde) por dívidas.

Um aspecto crítico é como garantir que os serviços prometidos sejam realmente entregues e com qualidade. Sem mecanismos de controle social efetivos, a confiança no sistema pode ser comprometida.

Além disso, é necessário um acompanhamento rigoroso para garantir que as condições acordadas sejam cumpridas, evitando que a prática de sonegação seja incentivada ou que se torne comum. Isso é especialmente relevante em um contexto onde o SUS se esforça para atender uma demanda crescente por serviços de saúde.

Para enfrentar esses desafios, é fundamental estabelecer novos métodos que assegurem que os serviços oferecidos sejam de qualidade, com a participação ativa da população no controle dos gastos e na fiscalização dos serviços prestados. Somente assim será possível criar um sistema de saúde que realmente atenda às necessidades de todos os cidadãos.

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