Os hospitais filantrópicos de Belo Horizonte pediram à prefeitura da cidade que apresente, com urgência, um cronograma oficial detalhando as datas para o repasse de verbas federais. A solicitação vem da Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos de Minas Gerais, que representa essas instituições. De acordo com a federação, os hospitais já estão enfrentando dificuldades financeiras devido à falta de recursos.
Em entrevista, o prefeito em exercício de Belo Horizonte, Juliano Lopes, informou que a prefeitura já organizou um cronograma para regularizar os repasses pendentes aos hospitais que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo Lopes, os atrasos ocorreram porque recursos orçamentários só chegaram ao governo municipal no dia 30 de dezembro, momento em que não havia tempo para a execução devido ao recesso.
No entanto, a federação ressalta que este cronograma ainda não foi formalizado. “Apesar da promessa da prefeitura, ainda não recebemos um documento oficial com datas e valores específicos para cada hospital”, destacou a entidade.
Recentemente, durante uma reunião com o Ministério do Trabalho, ficou acordado que Belo Horizonte deveria apresentar um plano detalhado para os hospitais filantrópicos. Essa reunião foi marcada pela urgência, uma vez que a falta de recursos pode comprometer o pagamento das folhas salariais até o dia 26 de janeiro.
A situação financeira dos hospitais filantrópicos é alarmante. Muitos deles estão endividados e enfrentam dificuldades para quitar a folha salarial. Entre os hospitais afetados estão a Santa Casa de Belo Horizonte, o Hospital São Francisco, o Risoleta Neves, a Rede Mário Penna, o Hospital Sofia Feldman, o Hospital da Baleia e o Hospital Universitário Ciências Médicas.
Essas instituições são responsáveis por mais de 70% dos tratamentos de alta complexidade em Belo Horizonte e aproximadamente metade da produção hospitalar da cidade. A federação alerta que a inadimplência nos repasses pode levar a um colapso financeiro e assistencial, colocando em risco a continuidade dos serviços de saúde essenciais para a população.
No Hospital São Francisco, por exemplo, os atrasos resultaram na limitação de novas internações. Além disso, na Santa Casa de Belo Horizonte, a situação é crítica, com um passivo de R$ 35 milhões em dívidas, sendo R$ 24,8 milhões referentes a valores não pagos pela prefeitura, com R$ 12 milhões vencendo em breve.
Para evitar a interrupção dos serviços, a Santa Casa está buscando um novo empréstimo de R$ 15 milhões. A situação é igualmente preocupante para o Hospital Sofia Feldman, que também enfrenta dificuldades financeiras.