06/02/2026
@»institutoortopedico»IA pode ser crucial para evitar colapso no setor de saúde

IA pode ser crucial para evitar colapso no setor de saúde

Os aumentos de custos, o envelhecimento da população e a falta de profissionais estão pressionando o sistema de saúde e levando hospitais e operadoras a buscar soluções para melhorar a eficiência. Segundo Anthony Eigier, CEO e cofundador da NeuralMed, um dos maiores problemas enfrentados pelo setor é a presença de dados fragmentados em sistemas que não se comunicam entre si.

Em uma recente entrevista, Eigier destacou a importância da inteligência artificial (IA) para evitar um colapso no sistema de saúde. Ele explicou que essa tecnologia pode integrar dados clínicos, ajudar a antecipar diagnósticos e diminuir as internações que poderiam ser evitadas. “O sistema de saúde não enfrenta problemas por falta de dados, mas sim pela desorganização das informações. Quando estruturamos esses dados de maneira adequada, mudamos completamente a forma de cuidar do paciente”, afirmou.

A NeuralMed tem como objetivo conectar informações espalhadas em diferentes sistemas hospitalares. Isso inclui prontuários eletrônicos, exames de imagem, prescrições e históricos familiares. Com essa integração, algoritmos de IA são utilizados para identificar riscos à saúde, destacar pacientes que precisam de atenção prioritária e organizar fluxos de atendimento em hospitais e clínicas.

Segundo Eigier, a ideia não é substituir médicos ou enfermeiros, mas sim minimizar o tempo gasto com tarefas administrativas. Atualmente, muitas equipes acabam “navegando” por múltiplas telas para encontrar informações que já existem, mas estão mal organizadas. Com a tecnologia, é possível economizar tempo e permitir que os profissionais se concentrem mais no atendimento direto ao paciente.

Um dos principais benefícios desse modelo é a antecipação de diagnósticos. A IA pode cruzar dados clínicos que, isoladamente, pareceriam irrelevantes, como resultados de exames feitos por outros motivos ou histórico familiar de doenças. Por exemplo, um caso relatado por Eigier envolveu um paciente que chegou ao pronto-socorro após um acidente. Apesar dos exames focarem apenas no trauma, a IA detectou a presença de um nódulo pulmonar, além de antecedentes de tabagismo e família com câncer. Isso levou a uma avaliação oncológica que resultou em um diagnóstico precoce de câncer de pulmão, possibilitando tratamento imediato.

Além disso, Eigier também menciona a rápida mudança na pirâmide demográfica do país, que indica que, a partir da próxima década, haverá mais idosos do que crianças. Isso deve aumentar a demanda por cuidados médicos, controle de doenças crônicas e uso constante do sistema de saúde. Um modelo que se concentre apenas no tratamento em hospitais pode se tornar financeiramente insustentável.

Nesse contexto, a solução proposta por Eigier envolve a utilização da inteligência artificial como uma ferramenta para coordenar cuidados. O objetivo é acompanhar pacientes fora do ambiente hospitalar e usar dados para evitar que problemas simples se tornem casos mais graves.

Ele acredita que a adoção da inteligência artificial na área da saúde deve acelerar nos próximos anos, tanto pela necessidade econômica quanto pelo avanço da tecnologia. “Não estamos mais discutindo inovação, mas sim a sustentabilidade do sistema de saúde”, conclui.

Sobre o autor: suporte

Ver todos os posts →