A Disputa pelas Praias da Jamaica
A Jamaica é conhecida no mundo todo por suas lindas praias de areia branca e águas cristalinas. Em 2024, a ilha recebeu um número recorde de 4,3 milhões de turistas, que buscavam aproveitar suas belezas naturais.
Entretanto, a situação para muitos jamaicanos é diferente. Apesar de a ilha ter 1.022 km de litoral, apenas 0,6% dessas praias continuam acessíveis ao público. Muitas praias, como a baía de Mammee, foram vendidas para empreiteiros, que transformaram áreas de acesso livre em resorts de luxo. Barcos de pescadores e crianças que antes brincavam à beira-mar agora se deparam com cercas e paredes que bloqueiam a passagem.
Em 2020, uma empresa começou a construir um resort que bloqueou o acesso à praia e a um rio conhecido pela comunidade local para nadar. Localidades que tinham acesso ao mar por gerações agora enfrentam dificuldades. Vários ativistas têm se mobilizado contra essa privatização das praias, pedindo a revogação da Lei de Controle das Praias, que permite que áreas costeiras sejam vendidas para a iniciativa privada.
Devon Taylor, um dos fundadores do Movimento Ambiental pelo Direito por Nascimento às Praias da Jamaica, afirma que ao cercear o acesso dos jamaicanos ao seu litoral, o governo mina a cultura local e as tradições pesqueiras. No momento, cinco ações judiciais estão em andamento em busca de garantir acesso às praias e rios da ilha.
As consequências da privatização são visíveis. Nos últimos anos, o número de resorts all-inclusive aumentou, dificultando ainda mais o acesso da população local às praias. Esses locais, que proporcionam toda a estrutura de alimentação e lazer para os hóspedes, muitas vezes não abrem suas portas para os jamaicanos.
A privatização das praias é um fenômeno que vem se intensificando desde os anos 1950, quando o governo britânico promulgou a lei que tornou o litoral uma propriedade estatal. Essa legislação permitiu que várias áreas fossem transferidas para empresários privados, reduzindo draticamente o acesso da população.
No entanto, a luta por acesso às praias ganhou força com a formação do JaBBEM em 2021. O movimento busca reverter essa situação, promovendo protestos e ações legais. A atual coordenação tem se esforçado para conscientizar a população e turistas sobre a importância de preservar esses espaços.
As famílias jamaicanas agora precisam pagar para acessar algumas praias. Para contornar essa situação, muitos recomendam que turistas optem por hotéis ou pousadas que valorizem e apoiem a economia local. Em destinos como Negril e Treasure Beach, ainda existem opções de praias públicas e estabelecimentos de propriedade local, que oferecem uma experiência mais autêntica e conectada à cultura jamaicana.
Embora a privatização tenha avançado, existem ainda maneiras de aproveitar a Jamaica de forma significativa. Praias como Seven Mile são conhecidas por seus estabelecimentos de proprietários locais, que servem pratos tradicionais e ofereçam um ambiente acolhedor. Além disso, atividades culturais como apresentações de música ao vivo têm atraído tanto locais quanto turistas.
Em resumo, as praias da Jamaica são um verdadeiro tesouro nacional, e o desafio agora é garantir que todos, especialmente os jamaicanos, tenham a chance de desfrutar dessas belezas naturais.