07/02/2026
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Inteligência artificial afeta produtividade e saúde mental

Aumento do Adoecimento no Ambiente Corporativo Acompanha Avanços Tecnológicos

Nos últimos anos, a popularidade da inteligência artificial (IA) trouxe a promessa de automatizar tarefas repetitivas, liberando os colaboradores para atividades mais criativas e estratégicas, com a expectativa de aumento na produtividade. No entanto, a realidade tem mostrado um cenário diferente. Um estudo recente revelou que 96% dos líderes empresariais acreditam que a IA pode melhorar a eficiência, mas 77% dos trabalhadores afirmam que, na prática, a tecnologia aumentou sua carga de trabalho e trouxe mais dificuldades.

Um relatório realizado por instituições de pesquisa apontou que, em agosto de 2025, 52% dos líderes e 59% dos colaboradores estavam fazendo uso de medicamentos para tratar ansiedade, estresse ou burnout. Em comparação, em 2024, esses números eram bem mais baixos, com apenas 18% e 21%, respectivamente. Além disso, o relatório do Chartered Institute of Personnel and Development (CIPD) indica que o absenteísmo no trabalho está em seu nível mais alto dos últimos dez anos.

Esse cenário revela um paradoxo: apesar do aumento na disponibilidade de ferramentas digitais e plataformas, muitas pessoas estão enfrentando exaustão e doenças relacionadas ao trabalho. A expectativa de estar sempre disponível está conflitando com os limites humanos.

Helyn Thami, CEO da HT Consultoria, destaca que o excesso de pressão sobre os colaboradores leva a um aumento de erros e diminuição da capacidade de aprendizado e inovação. Em vez de adaptar as tecnologias às necessidades dos trabalhadores, muitas vezes as empresas forçam seus colaboradores a se adaptarem às novas ferramentas, o que pode resultar em problemas de saúde e na diminuição da qualidade das entregas.

De acordo com a pesquisa da Upwork, 47% dos trabalhadores que utilizam IA afirmam não saber como cumprir as metas exigidas por seus empregadores, e 40% sentem que as demandas são excessivas. Esse descompasso entre expectativa e realidade já afeta a retenção de talentos: um em cada três trabalhadores em tempo integral considera deixar o emprego nos próximos seis meses devido à sobrecarga e ao burnout.

A pesquisa também revelou que 81% dos líderes empresariais admitiram aumentar as exigências sobre suas equipes no último ano. Como resultado, 71% dos funcionários em regime de tempo integral mostram sinais de esgotamento, e 65% encontram dificuldades para atingir as metas estabelecidas.

Para tratar essa questão, Helyn Thami argumenta que é necessário compreender melhor o fluxo de trabalho e aplicar as tecnologias de maneira que beneficiem os colaboradores, evitando a burocratização desnecessária. Ela enfatiza a importância de ter uma governança eficaz nas empresas e métodos claros para medir o bem-estar dos trabalhadores. No contexto atual, muitas empresas ainda utilizam abordagens pontuais em relação à saúde mental, embora existam técnicas comprovadas para melhorar essa situação.

O desafio é agravado pela falta de preparo da nova geração de líderes para abordar questões relacionadas à saúde mental em um ambiente constantemente transformado pela tecnologia.

Uma nova legislação, que entrará em vigor em 2026, representa um avanço nesses esforços. A Norma Regulamentadora (NR-1) exigirá que as empresas realizem avaliações de riscos psicossociais em seus processos de gestão de segurança e saúde no trabalho. As empresas deverão identificar e gerenciar esses riscos, implementar planos de ação que visem reorganizar o trabalho, reduzir sobrecargas e promover um ambiente saudável, com foco nas relações interpessoais e no bem-estar.

Além disso, a nova norma exigirá documentação e avaliações regulares para garantir que as empresas estejam em conformidade. O Ministério do Trabalho e Emprego fará fiscalizações, especialmente em setores com alta incidência de problemas de saúde mental, como teleatendimento, bancos e saúde.

A CEO da HT Consultoria manifesta otimismo em relação à fiscalização da NR-1, acreditando que essa nova abordagem, que foca nos riscos e não apenas nas consequências, pode melhorar significativamente o ambiente de trabalho, integrando programas de saúde mental de forma mais eficaz.

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