A inteligência artificial (IA) está se tornando uma parte essencial do dia a dia na área da saúde, trazendo avanços significativos no diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças. Esses algoritmos ajudam na análise de imagens médicas, na escolha de terapias e na otimização de processos hospitalares. No entanto, é fundamental que essa tecnologia não seja apenas inovadora, mas que tenha um impacto real na vida dos pacientes, garantindo cuidados mais seguros e resultados positivos.
O Brasil está em um momento crucial para a implementação dessas tecnologias. O país possui um vasto conjunto de dados de saúde, reforçado por um sistema de saúde pública universal e um ecossistema de inovação em crescimento. Contudo, a fragmentação dos dados é um desafio, dificultando o uso eficiente dessas informações. Iniciativas como a Estratégia de Saúde Digital para o Brasil 2028 e a adoção de padrões de dados, como o HL7 FHIR, são passos importantes para que essas novas tecnologias façam parte da cultura das instituições de saúde.
A ética na aplicação da inteligência artificial é vital. A confiabilidade dos sistemas de IA está ligada aos valores que os orientam. É essencial que os modelos sejam compreensíveis, replicáveis e supervisionados por humanos, a fim de evitar vieses e garantir a confiança, principalmente no setor de saúde. O debate em torno da regulamentação, com o projeto de lei PL 2338/2023, busca se alinhar às melhores práticas internacionais, como as diretrizes da Comissão Europeia e princípios da Organização Mundial da Saúde.
Ainda assim, é necessário avançar para que as inovações de IA deixem de ser meros protótipos. Muitos projetos falham em se integrar aos processos já existentes ou em avaliar adequadamente seus resultados clínicos. A tecnologia deve ir além da eficiência; ela precisa promover um sistema de saúde mais justo, evitando desigualdades e garantindo acesso equitativo.
O sucesso da saúde digital dependerá da colaboração entre instituições, profissionais de saúde e a população. Para que a confiança na IA seja solidificada, é fundamental ter dados de qualidade, marcos éticos efetivos e políticas públicas adaptadas aos desafios da sociedade. Assim, quando a IA se tornar uma ferramenta invisível em um sistema de saúde mais humano, eficiente e inclusivo, ela deixará de ser uma novidade e se tornará parte do cotidiano.