05/02/2026
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Interoperabilidade como base para o futuro da saúde

A saúde no país enfrenta um cenário de contrastes, especialmente no que diz respeito à tecnologia. Enquanto os investimentos em inovação aumentam tanto no setor público quanto no privado, com mais de R$ 560 milhões alocados pelo Ministério da Saúde para pesquisas em 2022 e um crescimento de 38% nos investimentos em health techs para 2024, a infraestrutura necessária para suportar essa evolução ainda é precária.

Um dos principais desafios é a falta de interoperabilidade, que é a capacidade de diferentes sistemas e organizações trocarem e utilizarem informações de forma eficaz. Embora existam algumas iniciativas de sucesso, como soluções em inteligência artificial e medicina personalizada, a maioria dos processos ainda opera de maneira isolada. Isso significa que, muitas vezes, dados importantes não são compartilhados entre diferentes serviços de saúde, prejudicando o atendimento ao paciente.

Por exemplo, no setor de medicina diagnóstica, onde a tecnologia e os dados são essenciais, a falta de padrões comuns e incentivos claros torna o ambiente ineficiente. A ausência de uma estratégia clara para a integração de dados limita o avanço da digitalização na saúde, resultando em um sistema onde decisões são tomadas com informações incompletas ou, às vezes, indisponíveis.

Essa fragmentação tem sérias consequências. Pacientes podem se ver obrigados a repetir exames em diferentes unidades de saúde, gerando desperdício de tempo e recursos. Além disso, essa situação aumenta o risco de diagnóstico inadequado ou atrasos no tratamento, comprometendo a qualidade do atendimento e gerando custos adicionais com retrabalho e duplicidade de exames. O cenário se torna ainda mais preocupante com o envelhecimento da população, que demanda cuidados mais contínuos e preventivos.

A falta de interoperabilidade não só afeta a experiência dos pacientes, mas também impede a coleta de dados relevantes que podem alimentar modelos de inteligência artificial. Essas tecnologias poderiam ajudar na antecipação de riscos médicos e na personalização de tratamentos, tornando os cuidados mais eficientes e menos reativos.

Por outro lado, há uma expectativa de melhoria. A Organização Mundial da Saúde já destacou os benefícios de uma gestão mais integrada dos dados da saúde, que podem aprimorar a tomada de decisões e facilitar a criação de painéis dinâmicos que preveem eventos críticos. A possibilidade de acesso a informações em tempo real poderia transformar a assistência médica, colocando o paciente no centro das atenções e melhorando substancialmente o atendimento.

Apesar dos desafios, há iniciativas promissoras em algumas redes de saúde privada e avanços nas regulamentações que indicam que o país pode avançar. Estima-se que até 2035, o investimento em big data na saúde cresça globalmente a uma taxa média de 19,2% ao ano, potencializando a capacidade de processar e integrar dados de forma a gerar mais valor clínico.

Para isso, o país precisa de uma política clara de interoperabilidade, com diretrizes técnicas e um modelo de governança que promova a colaboração entre os setores público e privado. É essencial entender que a interoperabilidade vai além da simples troca de informações; ela exige uma estrutura robusta e escalável para possibilitar a digitalização do sistema de saúde.

É fundamental que haja um esforço conjunto para que médicos consigam tomar decisões informadas, que os pacientes recebam atendimento de qualidade e que os recursos sejam utilizados de maneira mais inteligente. A construção de um ambiente que favoreça a integração de dados é um passo crucial para o avanço da saúde digital no país. A escolha é clara: continuar no passado ou trabalhar para um futuro onde a saúde digital seja uma realidade acessível e eficiente para todos.

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