A saúde no país apresenta um cenário com avanços e desafios, especialmente no que diz respeito à tecnologia. No último ano, o Ministério da Saúde destinou mais de R$ 560 milhões para pesquisas em ciência e tecnologia, e o investimento em startups de saúde, conhecidas como health techs, aumentou em 38% em 2024. Isso mostra um crescimento na inovação do setor, com destaque para o surgimento de soluções de inteligência artificial, diagnósticos preditivos e medicina personalizada.
Entretanto, esse progresso enfrenta um grande obstáculo: a falta de interoperabilidade. Isso significa que, apesar dos avanços tecnológicos, os sistemas e dados de saúde não estão adequadamente integrados. Muitas vezes, médicos e pacientes lidam com informações fragmentadas e processos isolados, o que dificulta um atendimento mais eficaz.
Na medicina diagnóstica, que deveria ser um exemplo de avanços tecnológicos, essa falta de integração é ainda mais evidente. Não há padrões comuns, o que leva a uma ineficiência significativa. Sem uma estratégia clara para unificar dados e processos, os profissionais de saúde tomam decisões com informações incompletas, o que pode comprometer a qualidade do atendimento.
A ausência de interoperabilidade afeta diretamente os pacientes. Muitas vezes, eles precisam refazer exames em diferentes unidades de saúde devido à falta de comunicação entre os sistemas. Isso não só consome tempo e dinheiro, como também aumenta o risco de erros e complicações, além de resultar em diagnósticos imprecisos e atrasos no tratamento.
Os danos da falta de integração são amplos. O modelo atual de saúde pode ser ineficaz e reativo, o que é preocupante, especialmente com o envelhecimento da população. Quando um paciente é submetido a um exame sem acesso a um histórico completo, ele está em desvantagem e exposto a riscos desnecessários. Além disso, a falta de dados integrados impede o desenvolvimento contínuo de modelos de inteligência artificial que poderiam melhorar a previsão de riscos e personalização dos tratamentos.
Por outro lado, a interoperabilidade traz vários benefícios. Estudos indicam que o uso integrado de grandes volumes de dados, como os fornecidos por data lakes interoperáveis, pode melhorar a tomada de decisões médicas e o gerenciamento de cuidados. Isso pode oferecer aos profissionais de saúde acesso a informações em tempo real, promovendo um modelo mais centrado no paciente e, consequentemente, melhorando a qualidade do atendimento.
Embora o caminho para a melhoria da interoperabilidade no país seja desafiador, há iniciativas em andamento, principalmente em redes privadas e operadoras de saúde. A expectativa é que, até 2035, os investimentos em big data na saúde cresçam 19,2% ao ano no mundo todo, movimentando aproximadamente US$ 540 bilhões. Para isso, o país precisa urgentemente implementar uma política de interoperabilidade que estabeleça diretrizes claras e incentive a colaboração entre os setores público e privado.
É importante lembrar que a interoperabilidade vai além da simples troca de informações; requer infraestrutura adequada e esforços conjuntos para viabilizar tecnologias mais avançadas. Isso pode transformar a assistência médica e permitir que médicos tomem decisões mais informadas e pacientes tenham um atendimento mais digno.
Por fim, a interoperabilidade representa uma necessidade fundamental para modernizar a saúde no país. A decisão que precisamos tomar é clara: continuar com um sistema fragmentado ou construir condições para que o país se destaque na saúde digital.