Janeiro é o mês dedicado ao Janeiro Branco, uma campanha que visa promover a saúde mental e encorajar reflexões sobre o bem-estar emocional no Brasil. Em 2026, a campanha trará o lema “Paz. Equilíbrio. Saúde Mental.” e adotará o post-it como símbolo do movimento.
A campanha ganhou força e apoio com a transformação em Lei Federal em 2023, que determina que, em janeiro, haja campanhas nacionais de conscientização sobre a saúde mental. Essas campanhas têm foco na promoção de hábitos saudáveis, na criação de ambientes favoráveis e na prevenção de doenças psiquiátricas, com especial atenção à dependência química e ao suicídio.
O Janeiro Branco foi criado em 2014 pelo psicólogo Leonardo Abrahão, na cidade de Uberlândia, Minas Gerais. O objetivo inicial era sensibilizar as pessoas sobre a importância do cuidado emocional e incentivar a busca por ajuda psicológica quando necessário. Desde sua criação, a campanha cresceu e passou a contar com a participação de profissionais de saúde, instituições públicas e privadas e cidadãos em várias ações educativas durante o mês.
Abrahão explica que a escolha do mês de janeiro está ligada ao simbolismo de recomeço, o que convida à reflexão sobre as próprias histórias e emoções. Segundo ele, a iniciativa também busca mostrar que cuidar da saúde mental é essencial para a construção de uma sociedade equilibrada e responsável.
Para 2026, o tema escolhido traz à tona a necessidade de desacelerar em meio a um mundo repleto de estímulos e conflitos que afetam a saúde mental. Abrahão afirma que a busca por paz é fundamental em várias esferas da vida, incluindo a política, a emocional e a cultural.
A identidade visual deste ano utiliza o post-it como símbolo nacional. Abrahão destaca que, embora o post-it seja tradicionalmente associado à pressa e à cobrança, a campanha busca transformá-lo em um espaço de pausa e reflexão.
O Janeiro Branco se torna ainda mais relevante considerando dados recentes sobre a saúde mental no Brasil. Segundo uma pesquisa de 2025, 52% dos brasileiros consideram a saúde mental o principal problema de saúde do país, superando preocupações como o câncer. Esse percentual representa um aumento significativo em relação a 2018, quando apenas 18% dos entrevistados viam a saúde mental como uma prioridade.
Além disso, outra pesquisa apontou que o Brasil ocupa o décimo lugar em termos de preocupação com a saúde mental entre 30 países avaliados. Os dados indicam que o Chile lidera essa preocupação, com 68% da população manifestando inquietação sobre o tema.
Os dados também mostram uma crescente quantidade de afastamentos do trabalho por problemas relacionados à saúde mental. Entre janeiro e agosto de 2025, houve 5.355 afastamentos, um aumento significativo em relação ao ano anterior. Esse crescimento revela a gravidade da situação e destaca a necessidade de uma atenção ainda maior ao bem-estar emocional dos trabalhadores.
Um estudo sobre o bem-estar corporativo revelou que 86% dos brasileiros entrevistados apresentaram sintomas da Síndrome de Burnout em 2025. Isso indica a urgência em abordar a saúde mental no ambiente de trabalho.
Neste contexto, Abrahão menciona que o Brasil vive uma fase paradoxal, onde, apesar do aumento do sofrimento emocional, há uma maior conscientização sobre a importância de discutir saúde mental. Ele destaca que, embora o país continue enfrentando problemas sérios nessa área, há um movimento crescente para abordar o tema de forma mais aberta e engajada.