O ex-presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, condenado a 45 anos de prisão por narcotráfico nos Estados Unidos, pode ser libertado. O atual presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que pretende indultá-lo, alegando que ele foi tratado com “dureza e injustiça”. O anúncio foi feito menos de 48 horas antes das eleições em Honduras, que escolherão o sucessor da presidente esquerdista Xiomara Castro. Trump também manifestou apoio a Nasry “Tito” Asfura, candidato do Partido Nacional que é aliado de Hernández.
A decisão de Trump surpreende, especialmente porque o ex-presidente hondurenho foi acusado de traficar cerca de 500 toneladas de cocaína para os EUA. Recentemente, Washington intensificou suas operações contra o tráfico de drogas, enviando a Marinha ao Caribe e destruindo lanchas suspeitas, resultando em mortes significativas.
Hernández foi considerado culpado por um tribunal de Nova York em junho de 2024, com procuradores afirmando que ele transformou Honduras em um “narcoestado” para enriquecer. O ex-presidente, conhecido em Honduras como JOH, sempre negou as acusações, rotulando-as de “calúnias”.
### Uma trajetória política notável
Hernández teve uma carreira política expressiva antes de sua condenação. Ele se tornou o presidente mais jovem de Honduras em 2014 e o primeiro a ser reeleito em décadas. Nascido em 28 de outubro de 1968 em Gracias, no departamento de Lempira, foi o 15º de 17 irmãos. Após estudar Direito na Universidade Nacional de Honduras, ele começou sua trajetória política na associação estudantil e, depois, atuou como assistente no Congresso.
Ele serviu por quatro mandatos como deputado e, em 2010, tornou-se presidente do Congresso. Em 2012, venceu as primárias do Partido Nacional e, em 2013, foi eleito presidente, anunciando em sua posse que pretendia restaurar a paz em um país marcado pela violência do narcotráfico.
No entanto, sua gestão não foi tranquila. Hernández enfrentou críticas por altos índices de criminalidade e pelo envolvimento do crime organizado em instituições do país. Ele prometeu combater o narcotráfico, extraditando suspeitos para os EUA como um sinal de seu comprometimento com a moralização do Estado.
### Controvérsias e corrupção
Em 2018, as suspeitas sobre seus vínculos com cartéis aumentaram após a prisão de seu irmão, Juan Antonio “Tony” Hernández, por narcotráfico. Embora tenha negado qualquer ligação, Hernández enfrentou manifestações maciças pedindo sua renúncia, impulsionadas por denúncias de corrupção na seguridade social e pela decisão de não renovar uma missão internacional anti-corrupção.
Ele decidiu buscar um segundo mandato, apesar de a Constituição proibir reeleições imediatas. Uma decisão controversa da Suprema Corte permitiu que ele concorresse, fazendo com que a OEA pedisse novas eleições, alegando irregularidades.
### A prisão e as acusações nos EUA
Após deixar a presidência em fevereiro de 2022, Hernández foi preso e extraditado para os Estados Unidos, onde enfrentou acusações de narcotráfico. Os procuradores afirmaram que ele facilitou o envio de drogas aos EUA, utilizando subornos para garantir a segurança de suas rotas de tráfico. As investigações revelaram que seus vínculos com o crime organizado já existiam desde 2004.
Em junho de 2024, Hernández foi condenado a quase 50 anos de prisão. Além das repercussões nos EUA, a Justiça hondurenha confiscou bens dele, incluindo imóveis e empresas. Agora, as atenções se voltam para o possível indulto e se ele poderá retornar a Honduras para retomar sua carreira política.