09/02/2026
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Juventude indígena e negra enfrenta riscos à saúde mental

Uma pesquisa realizada pela Fiocruz de 2022 a 2024 revelou importantes desigualdades nas condições de saúde mental entre jovens indígenas e negros. Os dados apontam para preocupantes taxas de morte e dificuldades no acesso a atendimento adequado para esses grupos.

Os jovens indígenas enfrentam a mais alta taxa de mortes por causas relacionadas à saúde mental no país, com 62,7 casos de suicídio para cada cem mil habitantes. Este número é significativamente superior à média nacional. Entre homens indígenas de 20 a 24 anos, a taxa sobe ainda mais, chegando a alarmantes 107,9 por cem mil habitantes, o que os torna o grupo mais vulnerável em relação à saúde mental no estudo.

Entre as mulheres indígenas, especialmente aquelas com idades entre 15 e 19 anos, a situação também é grave, com uma taxa de 46,2 por cem mil habitantes, superando outros grupos jovens. Esse cenário é agravado por fatores como o isolamento em que vivem, a dificuldade de acesso a serviços de saúde, as barreiras culturais enfrentadas nos atendimentos e os impactos negativos de conflitos territoriais e violências recorrentes. A falta de políticas sociais e de saúde específicas para essas comunidades também contribui para essa vulnerabilidade.

Em relação aos jovens negros, o informe apontou que eles são mais propensos a internações ligadas à saúde mental, além de sofrerem com violências e obstáculos que dificultam o acesso ao cuidado. Dos atendimentos realizados na Atenção Primária à Saúde (APS), apenas 11,3% foram destinados a questões de saúde mental, o que é inferior à média de 24,3% entre toda a população. Essa baixa procura muitas vezes é resultado de uma desigualdade histórica que dificulta o acesso a serviços de saúde adequados, especialmente considerando que muitos jovens negros enfrentam questões como racismo, precarização do trabalho e violência.

As taxas de internação em geral para a juventude estão em 569,5 por cem mil habitantes, aumentando para 624,8 entre aqueles de 20 a 24 anos e 719,7 na faixa de 25 a 29 anos. Os jovens negros são os mais atingidos nesse cenário, refletindo a intersecção de desigualdade racial, vulnerabilidade econômica e a falta de políticas eficazes de prevenção.

Os dados também mostram que a maioria das internações ocorre entre homens jovens, que representam 61,3% desse grupo, com uma taxa de 708,4 internações por cem mil habitantes. Dentro desse contexto, jovens negros são desproporcionalmente afetados. A principal causa das internações entre esses jovens é o uso excessivo de substâncias psicoativas, com 38,4% dos casos relacionados a drogas. A pesquisa destaca que 68,7% dessas internações envolvem a combinação de várias substâncias. Fatores como pressão social, desigualdade econômica e expectativas sobre o desempenho masculino podem contribuir para essa situação.

Os pesquisadores alertam que essas altas taxas de adoecimento mental não são apenas resultado de comportamentos individuais, mas sim de falhas estruturais na sociedade. A violência, mortes evitáveis e problemas relacionados ao uso de substâncias são mais comuns entre jovens indígenas e negros, indicando que o sistema de saúde não está atendendo adequadamente às necessidades desses grupos.

De acordo com André Sobrinho, coordenador da Agenda Jovem da Fiocruz, a juventude é frequentemente negligenciada quando se trata de cuidados de saúde mental. Ele destaca que os jovens, embora enfrentem muitos desafios, são muitas vezes vistos como se pudessem suportar qualquer situação. Sobrinho enfatiza a importância de criar políticas que considerem as especificidades étnico-raciais e de gênero.

Por fim, o informe defende a necessidade de fortalecer a vigilância em saúde mental e desenvolver políticas que atendam às demandas específicas dos jovens, argumentando que cuidar da saúde mental da juventude é essencial para o presente e o futuro do país. A pesquisa foi realizada pela Agenda Jovem da Fiocruz em parceria com a Escola Técnica de Saúde Joaquim Venâncio, com a análise de dados do Sistema Único de Saúde (SUS).

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