25/03/2026
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juventude indígena e negra enfrenta riscos à saúde mental

Uma pesquisa recente da Fiocruz, realizada entre 2022 e 2024, revela uma preocupação crescente com a saúde mental de jovens indígenas e negros no país. Os dados mostram uma profunda desigualdade entre esses grupos, afetando diretamente seu bem-estar e acesso a serviços de saúde.

Os jovens indígenas apresentam a mais alta taxa de mortes relacionadas à saúde mental em todo o país, com 62,7 casos por cem mil habitantes. Essa taxa é particularmente alarmante entre homens indígenas na faixa etária de 20 a 24 anos, que registram 107,9 casos por cem mil. Entre as mulheres indígenas de 15 a 19 anos, a taxa também é alta, alcançando 46,2 por cem mil habitantes. Essa situação reflete as vulnerabilidades que enfrentam, como a falta de serviços de saúde adequados, barreiras culturais no atendimento e as consequências de conflitos territoriais e violências.

Por outro lado, jovens negros enfrentam desafios significativos em relação ao acesso a cuidados de saúde mental. A pesquisa mostra que apenas 11,3% dos atendimentos na Atenção Primária à Saúde são voltados para saúde mental, um número bem abaixo da média geral, que é de 24,3%. Essa diferença demonstra uma desigualdade histórica, já que muitos jovens negros encontram dificuldades para acessar serviços que sejam preparados para entender suas realidades, que incluem questões de racismo e violência.

As taxas totais de internações por problemas de saúde mental entre a juventude chegam a 569,5 por cem mil habitantes. Este número aumenta para 624,8 entre os jovens de 20 a 24 anos e 719,7 na faixa dos 25 a 29 anos. Os jovens negros estão mais representados nesses registros, o que evidencia a intersecção entre a desigualdade racial, a vulnerabilidade econômica e a falta de políticas eficazes de prevenção.

Em relação às internações, a pesquisa revela que 61,3% dos casos são de homens jovens, com uma taxa de 708,4 internações por cem mil habitantes. Dentro desse grupo, os jovens negros estão em maior número. O uso de substâncias psicoativas é apontado como a principal causa de internações, com 38,4% dos casos relacionados ao uso de drogas, muitas vezes envolvendo múltiplas substâncias. Fatores como pressão social, desigualdade econômica e exigências de desempenho entre os jovens são identificados como gatilhos para esses problemas.

Os pesquisadores enfatizam que a alta taxa de internações não é simplesmente resultado de comportamentos individuais, mas sim de falhas estruturais na sociedade. Violências, mortes evitáveis e uso problemático de substâncias estão mais presentes entre jovens indígenas e negros, indicando que os sistemas de cuidado existentes não atendem adequadamente a essas populações.

A pesquisa sugere que a juventude é frequentemente negligenciada quando se trata de cuidados em saúde mental, e o coordenador da Agenda Jovem Fiocruz, André Sobrinho, destaca a necessidade urgente de revisão das políticas de saúde mental. Ele afirma que, apesar de serem os mais afetados, os jovens são os que menos buscam ajuda. Sobrinho defende que proporcionar um melhor cuidado à saúde mental da juventude é fundamental para o presente e o futuro do país.

O estudo foi conduzido pela Agenda Jovem Fiocruz e pela Escola Técnica de Saúde Joaquim Venâncio, com análise baseada em dados do Sistema Único de Saúde (SUS). A pesquisa destaca a importância de fortalecer a vigilância em saúde mental e criar políticas focadas em questões étnico-raciais e de gênero para atender às necessidades dessa população.

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