Na remota Sibéria, uma descoberta científica promete revolucionar nosso entendimento sobre animais extintos. A múmia de um mamute-lanoso juvenil, preservada no permafrost por cerca de 40 mil anos, trouxe à tona fragmentos de RNA antigo que estavam surpreendentemente bem preservados. Esse achado inédito permite aos cientistas investigarem como os genes funcionavam nesses animais pré-históricos.
O estudo, que será publicado na revista Cell em novembro de 2025, foi liderado por Emilio Mármol. Os pesquisadores consideram essa descoberta um marco na biologia molecular aplicada à paleontologia, pois o RNA geralmente se deteriora rapidamente após a morte, tornando sua recuperação em restos muito antigos um grande desafio.
No caso do mamute chamado Yuka, a análise revelou que o RNA encontrado estava associado ao desenvolvimento muscular. Essa informação é crucial, pois ainda não havia sido observada em espécimes tão antigos. O RNA, que demonstra quais genes estavam ativos em certos tecidos e momentos da vida, agora se torna uma ferramenta essencial para entender não apenas a genética, mas também a fisiologia de espécies extintas.
Outra descoberta significativa veio da análise do tecido muscular de Yuka, que apresentou elevados níveis de RNA relacionados a estresse celular. Isso sugere que o mamute juvenil passou por situações de intenso estresse fisiológico pouco antes de sua morte. Embora a causa exata do estresse ainda não seja clara, as evidências moleculares indicam que um evento traumático poderia ter ocorrido, refletindo diretamente na atividade genética do animal.
Durante o estudo, apenas três dos dez mamutes analisados apresentaram RNA preservado. Entre eles, Yuka se destacou por ter as cadeias mais longas e funcionais, tornando-se o espécime mais informativo já estudado até agora.
Além disso, uma reanálise genética revelou que, apesar de anos de especulações afirmando que Yuka era uma fêmea, os dados confirmaram que se tratava de um mamute macho, possuindo cromossomos X e Y. Esse achado exige uma revisão das teorias sobre o crescimento e desenvolvimento desse tipo de mamute.
Esses avanços ilustram como técnicas modernas têm aprimorado o conhecimento sobre esses animais. A recuperação de RNA tão antigo abre um leque de possibilidades, como investigar a presença de vírus previstos e compreender como esses animais respondiam a condições climáticas extremas.
Embora os dados ainda não sejam suficientes para reviver os mamutes, representam um passo crucial para entender características adaptativas, como a pelagem espessa, que os tornava adequados para os climas frios de sua época. O permafrost siberiano, portanto, continua a se firmar como um dos maiores arquivos biológicos naturais do mundo, preservando importantes informações sobre a história da vida no planeta.