24/03/2026
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Menos desperdício e mais acesso na saúde suplementar

Fraudes e Desperdícios na Saúde Suplementar: Um Problema Bilionário

Os gastos com fraudes, erros e desperdícios no setor de saúde suplementar são um desafio significativo no Brasil. Estima-se que cerca de 16% das despesas desse setor sejam com pagamentos indevidos, totalizando mais de R$ 30 bilhões em 2024. Esse valor elevado não traz benefícios para a saúde e dificulta a expansão do acesso aos planos de saúde. Em um cenário de alta sinistralidade e margens de lucro reduzidas, essas perdas pressionam ainda mais os preços dos serviços.

Uma pesquisa recente revelou que, apesar do desejo dos brasileiros por planos de saúde, 85% das pessoas que não têm cobertura consideram isso importante, e 61% gostariam de ter um plano. Contudo, o principal obstáculo para a adesão é a questão financeira, que torna os planos inacessíveis para muitos.

O estudo também destacou a satisfação dos usuários de planos de saúde. Embora 85% dos beneficiários afirmem estar satisfeitos, 24% relataram que tiveram negativa na autorização de procedimentos ou exames nos últimos doze meses. O mais preocupante é que, em 54% dos casos, essas negativas foram dadas sem uma explicação clara. Isso leva a uma nova resolução da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que exige mais transparência na comunicação entre operadoras e usuários.

Um dado alarmante revela que quando a cobertura é negada, 57% dos pacientes abandonam o procedimento porque não conseguem arcar com os custos do tratamento particular. Isso mostra que um bloqueio burocrático não só gera desconfiança, mas pode agravar a saúde dos pacientes e contribuir para um ciclo de judicialização, na busca por direitos.

A pressão econômica se torna ainda mais evidente se considerarmos os números da ANS. Entre 2021 e 2024, o número de beneficiários de planos de saúde aumentou de 49 milhões para 52 milhões, um crescimento de apenas 6%. Enquanto isso, os gastos assistenciais subiram 24%. Essa discrepância prejudica o princípio da mutualidade, que se baseia na divisão de riscos entre um maior número de segurados. Com despesas crescendo mais rapidamente que a base de beneficiários, o custo médio aumenta e as operadoras ficam mais defensivas, resultando em mais burocracia e negativas de cobertura para os usuários.

Diante dessa situação, as operadoras enfrentam um desafio financeiro considerável. Embora controlar custos seja necessário, isso não pode ocorrer em detrimento do acesso ao cuidado. Como uma parte significativa dos gastos provém de ineficiências e pagamentos indevidos, abordar esse tema é crucial para melhorar a saúde financeira do setor.

Para isso, muitas operadoras estão adotando modelos de auditoria mais eficientes, utilizando inteligência artificial e análise de dados. Essas tecnologias ajudam a identificar comportamentos suspeitos e a evitar pagamentos indevidos, o que pode economizar bilhões anualmente. Assim, a tecnologia atua como uma barreira contra desperdícios, garantindo que os pacientes tenham acesso aos tratamentos necessários.

Embora o equilíbrio econômico do setor de saúde suplementar dependa de diversos fatores, ignorar as ineficiências seria uma oportunidade desperdiçada para aliviar a pressão sobre o sistema. Cada real que não é gasto em desperdícios pode ser reinvestido em melhorias, aumento da rede de serviços e ampliação da cobertura.

As ferramentas tecnológicas já estão disponíveis e os resultados obtidos são encorajadores. O próximo passo é expandir sua implementação e fomentar a inovação nas operações das operadoras de saúde para transformar a eficiência em uma prática contínua.

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