A Meta, empresa conhecida por suas redes sociais, comprou a startup de inteligência artificial Manus, que fica em Singapura, por bilhões de dólares. O fechamento do negócio foi rápido, demorando pouco mais de dez dias, surpreendendo até os investidores da própria startup.
Liu Yuan, um dos investidores iniciais da Manus, disse que chegou a duvidar se a proposta era verdadeira. Esta aquisição se torna a terceira maior da Meta, atrás apenas das compras do WhatsApp e da Scale AI. O que chama atenção é que a Manus surgiu apenas em março de 2025. Oito meses depois, a Meta resolveu investir bilhares para adquirí-la. Isso mostra como o setor de inteligência artificial está mudando rapidamente e a seriedade que as grandes empresas estão dando a isso.
Atualmente, a inteligência artificial vai além de apenas responder perguntas e sugerir ações. Muitas ferramentas, como ChatGPT e Claude, conseguem fazer isso, mas Manus se destaca por completar tarefas inteiras de forma autônoma, sem precisar de supervisão constante. Por exemplo, se precisar de um relatório de pesquisa de mercado com 40 páginas, ela faz a pesquisa, analisa e organiza tudo, enquanto você está em outra reunião. Se for preciso analisar várias candidaturas de emprego, a Manus consegue ler, avaliar e oferecer recomendações.
Os números mostram a força da Manus: ela conseguiu uma receita recorrente de 100 milhões de dólares apenas oito meses após seu lançamento, provavelmente o mais rápido que uma startup já conquistou essa meta. Em 2025, a empresa processou mais de 147 trilhões de tokens e criou 80 milhões de computadores virtuais, atendendo milhões de usuários pelo mundo. Esses dados ajudam a entender por que a Meta decidiu agir rápido.
Outra razão para a compra é que a Meta reconhece que ficou para trás em uma área importante. Apesar de ter investido pesado em infraestrutura de IA e no desenvolvimento de modelos, a companhia teve dificuldades em transformar esses avanços em produtos que realmente mudassem a experiência do usuário. Empresas como Apple e Microsoft também estão competindo. A Apple, por exemplo, estaria interessada na aquisição da Perplexity AI, enquanto a Microsoft mantém uma forte parceria com a OpenAI e o Google tem desenvolvido agentes para seus produtos. O tempo para adquirir tecnologia autônoma comprovada está se esgotando, com as melhores empresas sendo vendidas ou ficando muito caras.
Quando a Meta procurou a Manus, a startup estava levantando uma nova rodada de investimentos com avaliação de 2 bilhões de dólares. A Meta decidiu fechar o negócio rapidamente, sem deixar concorrentes fazerem ofertas mais altas. Marc Zuckerberg e alguns executivos da Meta já usavam a Manus, o que certamente ajudou na decisão rápida.
O CEO da Manus, Xiao Hong, afirmou que a união com a Meta permitirá construir sobre uma base mais sólida, sem alterar como a Manus funciona ou toma decisões. Ele assumirá o cargo de vice-presidente na Meta, mas continuará à frente da empresa em Singapura.
A Meta planeja manter a Manus como um serviço independente, enquanto integra sua tecnologia nos produtos da empresa, como Facebook, Instagram e WhatsApp. A expectativa é que as capacidades autônomas da Manus cheguem a bilhões de usuários nas plataformas da Meta.
Essa aquisição representa uma mudança significativa sobre como a inteligência artificial vai operar nos aplicativos do dia a dia. A ideia é que os usuários consigam delegar tarefas completas e se afastar, ao invés de apenas digitar comandos para um chatbot.
Por exemplo, se você quiser planejar uma viagem, a IA vai pesquisar voos, hotéis e atividades, apresentando um plano completo. Se precisar analisar seu portfólio de investimentos, ela coleta os dados, identifica tendências e gera um relatório. Ao elaborar uma apresentação, a ferramenta cria os slides e insere visualizações importantes.
O cronograma para a integração ainda não está claro, mas a urgência da Meta sugere que eles desejam ter essas funcionalidades em operação rapidamente. A pressão da concorrência, principalmente de gigantes como Apple e Google, está aumentando, e os agentes autônomos podem representar a próxima grande mudança, assim como os aplicativos móveis mudaram os smartphones há dez anos.
Atualmente, a Manus segue com um modelo de assinatura, com um plano grátis que permite uma tarefa diária, um plano inicial de 39 dólares por mês e um plano profissional de 199 dólares. Como a Meta vai adaptar esses preços ao integrar a Manus em suas plataformas gratuitas ainda é incerto, mas a empresa tem um histórico de preferir modelos suportados por publicidade.
A situação da Manus também traz outra questão importante. A startup foi criada pela Butterfly Effect, uma empresa chinesa que recentemente mudou sua sede para Singapura. A Manus levantou 75 milhões de dólares de um fundo de investimento dos EUA, o que chamou a atenção de legisladores preocupados com a origem chinesa da empresa.
A Meta afirmou que a Manus cortará todos os laços com investidores chineses e não operará na China após a aquisição. Essa condição é relevante, especialmente com as tensões tecnológicas entre os EUA e a China que continuam influenciando as estratégias corporativas no desenvolvimento de IA.
A companhia vai continuar atuando independentemente de Singapura, mantendo sua equipe e estrutura de decisões. Esse nível de autonomia é importante, pois a Manus desenvolveu sua tecnologia combinando modelos de IA existentes, otimizando-os, em vez de começar tudo do zero. Manter a equipe intacta é crucial para preservar a velocidade de execução que fez a empresa se destacar.
A aquisição pela Meta mostra que a indústria de IA está entrando em uma nova fase. A época de impressionar as pessoas com geração de textos inteligentes chegou ao fim. A disputa agora é sobre quais empresas podem oferecer IA que execute tarefas reais de maneira eficaz e repetitiva.
A Manus conseguiu algo que muitas startups não conseguem: se encaixar no mercado de maneira rápida e em grande escala. O crescimento acelerado da receita e a adoção global mostraram que as pessoas estão dispostas a pagar por uma IA que realmente finalize tarefas, não apenas que ajude nelas.
A dúvida que fica é se a Meta conseguirá manter o ritmo enquanto integra a Manus em sua ampla estrutura. O histórico da empresa com aquisições é misto—algumas, como Instagram e WhatsApp, prosperaram, enquanto outras não. Contudo, a rapidez desta negociação e o envolvimento pessoal de Zuckerberg indicam que a Meta tem consciência das apostas envolvidas.
Por hora, o recado é claro: os agentes autônomos que executam tarefas do início ao fim são o próximo campo de batalha no mundo da inteligência artificial. E a Meta decidiu investir bilhões para não ficar para trás, ao invés de seguir construindo devagar por conta própria.