05/02/2026
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Ministério da Saúde colabora em combate à resistência antimicrobiana

O Ministério da Saúde realizou uma oficina nacional em Brasília em conjunto com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). O objetivo do encontro foi adaptar a lista de patógenos bacterianos prioritários da OMS ao contexto do país. Participaram do evento especialistas, pesquisadores, representantes da Anvisa e equipes técnicas, que debateram maneiras de direcionar políticas públicas voltadas para a vigilância, prevenção e controle da resistência antimicrobiana.

Durante a oficina, foram discutidos critérios para a priorização de patógenos, levando em conta a realidade epidemiológica do Brasil, as capacidades dos laboratórios e as estratégias já implementadas pelo Ministério da Saúde. O que se pretende é criar uma metodologia de seleção que possa servir de referência para outros países.

A secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, enfatizou a importância da adaptação das práticas ao cenário nacional. Ela alertou que a resistência antimicrobiana é uma ameaça crescente à saúde global e que ações eficazes são necessárias para enfrentar esse problema. Sua fala destacou que as ações devem ser baseadas em evidências e alinhadas às necessidades do país.

A Anvisa também desempenha um papel fundamental nesse processo ao fornecer dados sobre regulação e vigilância de infecções relacionadas à assistência à saúde. Essas informações são cruciais para entender a dinâmica dos patógenos mais relevantes no território.

Mariângela Simão reafirmou o compromisso do Ministério da Saúde em fortalecer políticas que enfrentem a resistência antimicrobiana. Ela expressou confiança de que a colaboração entre diversas instituições resultará em iniciativas eficazes que protejam a saúde da população.

A resistência aos antimicrobianos (RAM) é a capacidade de microrganismos, como bactérias, fungos e vírus, de sobreviver a tratamentos que deveriam combatê-los. Essa questão se tornou um dos maiores desafios de saúde pública global, agravada pelo uso indevido de medicamentos, condições inadequadas de higiene, mudanças climáticas e descarte impróprio de resíduos. A RAM impacta não apenas a saúde humana, mas também a saúde animal e as condições ambientais, sendo discutida sob a abordagem “Uma Só Saúde”.

É importante destacar a diferença entre antimicrobianos e antibióticos. Os antimicrobianos atuam contra uma ampla gama de microrganismos, enquanto os antibióticos são específicos para combater bactérias. O uso inadequado de antibióticos, principalmente em infecções virais, aumenta o surgimento de cepas resistentes.

Os efeitos da resistência antimicrobiana são alarmantes. Globalmente, a RAM é responsável por 1,27 milhão de mortes diretas anualmente e contribui para cerca de 5 milhões de óbitos a mais. Se ações efetivas não forem tomadas, esse número pode chegar até 39 milhões até 2050. No Brasil, aproximadamente 33,2 mil mortes por ano estão diretamente relacionadas a esse problema. Além das consequências para a saúde, como infecções mais difíceis de tratar e tratamentos prolongados, a RAM ameaça procedimentos médicos importantes, como cirurgias e transplantes, além de ter um impacto econômico significativo, com uma projeção de perda de US$ 3,4 trilhões no PIB global até 2030.

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