05/04/2026
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Mitos sobre a saúde das mulheres que persistem atualmente

A saúde das mulheres é um tema que ainda recebe pouca atenção e muitas vezes é mal compreendido. É comum que a expressão “saúde da mulher” seja usada apenas para se referir a cuidados ginecológicos e obstétricos, embora a saúde feminina abarque uma variedade de outras questões que vão além dos órgãos reprodutivos. Esta limitação no conhecimento pode levar a um desentendimento das condições que afetam as mulheres.

Devido à falta de pesquisa, tanto mulheres quanto profissionais de saúde podem não identificar corretamente os sintomas de condições comuns, como a apneia do sono, ou podem não reconhecer doenças que afetam mais mulheres, como doenças autoimunes. Além disso, muitos mitos cercam a gravidez e a menopausa, e problemas significativos, como a doença cardíaca, são frequentemente considerados como sendo exclusivos do sexo masculino.

Profissionais de saúde e pesquisadores foram convidados a elucidar alguns dos equívocos mais comuns relacionados à saúde das mulheres.

### Mito 1: Sintomas de ataque cardíaco são claros e óbvios

A doença cardíaca é a principal causa de morte entre as mulheres, e muitas vez elas não percebem que estão em risco de um ataque cardíaco. Isso se deve à maneira como os sintomas são geralmente apresentados, que se concentra em experiências masculinas. De acordo com Basmah Safdar, médica de emergência, mulheres tendem a relatar sintomas diferentes, como desconforto no peito, falta de ar e náusea, em vez da padrão dor no peito que os homens costumam apresentar. Além disso, as causas de um ataque cardíaco podem variar: enquanto homens frequentemente enfrentam bloqueio de artérias principais, as mulheres podem ter problemas em vasos menores ou espasmos nas artérias.

### Mito 2: Sistemas imunológicos de homens e mulheres são iguais

De acordo com Caroline Jefferies, os sistemas imunológicos das mulheres reagem de maneira mais intensa às infecções, o que pode ser bom para lidar com doenças agudas, mas também é uma desvantagem. O agravamento de condições como a Covid-19 em mulheres, que apresentam maior risco de desenvolver “Covid longa”, mostra essa complexidade. Além disso, as mulheres tendem a ter taxas mais elevadas de doenças autoimunes.

### Mito 3: Períodos menstruais ausentes são normais

A ausência de menstruação pode ser ignorada por mulheres que não estão grávidas ou doentes, mas isso não é saudável. Chrisandra Shufelt alerta que um ciclo menstrual irregular pode ser sinal de problemas, como disfunção tireoidiana ou síndrome dos ovários policísticos. Hábitos como alimentação inadequada e exercícios excessivos também podem afetar a saúde menstrual.

### Mito 4: Sangramento ocasional após a menopausa é normal

Durante a transição para a menopausa, algumas mulheres podem confundir o sangramento com uma ocorrência normal, mas isso pode ser um sinal de câncer endometrial. Karen Lu recomenda que todas as mulheres, especialmente na faixa dos 50, consultem um médico se tiverem dúvidas sobre sangramentos.

### Mito 5: Todos os medicamentos são perigosos durante a gravidez

Embora alguns medicamentos possam afetar um feto, outros são seguros e até essenciais para a saúde da mãe. Sindhu Srinivas ressalta a importância de discutir com um profissional médico os riscos e benefícios dos medicamentos durante a gravidez, especialmente em casos de condições crônicas.

### Mito 6: Problemas na gravidez ficam na gravidez

Complicações como diabetes gestacional e hipertensão podem criar riscos a longo prazo. Tala Al-Talib destaca que mulheres com essas condições têm maior chance de enfrentar problemas cardiovasculares mais tarde.

### Mito 7: A incontinência é incomum

Contrário à crença popular, a incontinência urinária afeta um número elevado de mulheres, principalmente após a menopausa. Alison Huang observa que muitas mulheres não buscam tratamento devido à vergonha, embora existam soluções simples que podem ajudar.

### Mito 8: Doenças e medicamentos foram bem estudados em mulheres

Historicamente, as mulheres foram excluídas de ensaios clínicos, resultando em uma falta de compreensão sobre como doenças e tratamentos afetam o corpo feminino. Essa situação começou a ser mudada a partir dos anos 90, mas muitos dos dados ainda são insuficientes para garantir tratamentos adequados e eficazes.

### Mito 9: O médico sempre sabe mais

É essencial que as mulheres estejam atentas aos seus sintomas e advocate por si mesmas quando buscam atendimento médico. Muitas vezes, seus sintomas podem ser desconsiderados ou minimizados. A orientação de especialistas é clara: se algo parecer errado, busque uma segunda opinião e conheça bem o próprio corpo.

Essas informações são vitais não apenas para profissionais da saúde, mas para todas as mulheres, a fim de promover um entendimento mais abrangente e consciente sobre a saúde feminina.

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