08/02/2026
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Molécula simples demonstra reversão notável do Alzheimer em ratos

A equipe de pesquisa da Universidade Federal do ABC (UFABC) no Brasil desenvolveu um novo composto químico que pode ajudar no tratamento da Doença de Alzheimer. Esse trabalho envolveu fórmulas feitas em computador, testes em culturas celulares e experimentos com animais. Com resultados iniciais positivos, os cientistas agora buscam parcerias com empresas farmacêuticas para iniciar os testes clínicos.

Os compostos, criados com apoio da FAPESP, são fáceis de produzir. Acredita-se que eles atuem quebrando as placas de beta-amiloide, que se acumulam nos cérebros de pessoas com Alzheimer. Essas placas se formam quando fragmentos do peptide amiloide se juntam entre os neurônios, causando inflamação e prejudicando a comunicação entre as células do cérebro.

O estudo publicado no jornal ACS Chemical Neuroscience mostrou que os compostos funcionam como quelantes de cobre. Eles se ligam ao excesso de cobre encontrado nas placas de beta-amiloide, ajudando a degradar essas estruturas tóxicas e aliviando sintomas da doença. Experimentos em ratos mostraram que o composto diminuiu problemas de memória, melhorou a percepção espacial e aumentou a capacidade de aprendizado. Além disso, análises químicas mostraram que houve uma reversão nas placas de beta-amiloide.

“Giselle Cerchiaro, professora do Centro de Ciências Naturais e Humanas da UFABC, explica que há cerca de dez anos, estudos internacionais começaram a identificar que íons de cobre influenciam a formação das placas de beta-amiloide. Foi descoberto que alterações genéticas e mudanças em enzimas que transportam cobre nas células podem levar ao acúmulo desse elemento no cérebro, contribuindo para a formação das placas. Assim, o equilíbrio do cobre se tornou um foco no tratamento do Alzheimer”, detalha.

Com base nesse conhecimento, a equipe de pesquisa criou moléculas que conseguem atravessar a barreira hematoencefálica e remover o cobre das placas de beta-amiloide. Dez moléculas candidatas foram desenvolvidas, e três passaram por testes em ratos com Alzheimer induzido. Um dos compostos se destacou, mostrando resultados fortes em termos de eficácia e segurança.

Esse trabalho serviu de base para a tese de doutorado da bolsista da FAPESP, Mariana L. M. Camargo, a dissertação de mestrado de Giovana Bertazzo e o projeto de pesquisa de graduação de Augusto Farias. Uma equipe liderada por Kleber Thiago de Oliveira, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), também ajudou na síntese de um dos compostos do estudo.

Nos testes com ratos, o composto diminuiu a neuroinflamação e o estresse oxidativo, restaurando o equilíbrio de cobre no hipocampo, área do cérebro responsável pela memória. Os animais tratados também tiveram um desempenho melhor em tarefas que exigem navegação espacial.

Além dessas melhorias comportamentais, o composto se mostrou não tóxico, tanto em culturas celulares do hipocampo quanto nos próprios animais. Os sinais vitais dos bichos foram cuidadosamente monitorados durante todo o experimento. Modelos computacionais confirmaram que o composto pode atravessar a barreira hematoencefálica e atingir as áreas mais afetadas pela doença de Alzheimer.

A Doença de Alzheimer é uma condição neurodegenerativa complexa e sem cura, com causas ainda não completamente definidas. Estima-se que cerca de 50 milhões de pessoas no mundo sejam afetadas, mas as opções de tratamento são limitadas e muitas vezes oferecem apenas alívio parcial dos sintomas ou dependem de terapias caras, como anticorpos monoclonais.

As descobertas da UFABC resultaram em um pedido de patente, e a equipe espera conseguir parcerias com a indústria para iniciar testes em humanos. “É uma molécula extremamente simples, segura e eficaz. O composto que desenvolvemos é muito mais barato do que os medicamentos disponíveis. Portanto, mesmo que funcione apenas para parte da população, dado que a Doença de Alzheimer tem múltiplas causas, representaria um avanço significativo em relação às opções atuais”, comemora Cerchiaro.

Os cientistas estão otimistas com as possibilidades que esse novo composto pode trazer para o tratamento da Doença de Alzheimer. Eles acreditam que a acessibilidade do produto pode mudar o cenário atual, já que muitos dos tratamentos existentes são bastante onerosos e não atendem a todos os pacientes.

O próximo passo é realizar mais testes para garantir a segurança e a eficácia do composto em humanos. As parcerias com empresas farmacêuticas serão essenciais para levar a pesquisa adiante. A equipe da UFABC está motivada e espera que, em breve, o novo tratamento possa ajudar milhares de pessoas afetadas por essa doença tão debilitante.

A caminhada até os testes em humanos será longa, mas a equipe está confiante. Profissionais de diversas áreas devem se unir para que a pesquisa tenha sucesso. Eles estão determinados a transformar as descobertas em soluções reais para quem sofre de Alzheimer.

As pesquisas continuam e novos caminhos sempre podem ser feitos. Esse desenvolvimento é um exemplo de como a ciência pode trazer esperança para milhares de pessoas. As descobertas em laboratório são só o começo de um imenso trabalho que pode beneficiar a sociedade como um todo. E, quem sabe, um dia, resultados como esses façam parte de um tratamento eficaz contra Alzheimer.

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