24/03/2026
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Mortes em corridas destacam a importância da saúde e preparação

O aumento no número de corredores de rua no país traz à tona uma preocupação: os casos de mal súbito durante as competições. Recentemente, dois incidentes chamaram a atenção de especialistas e atletas. Um empresário morreu após participar de uma corrida de 21 km em João Pessoa, na Paraíba, e um estudante de 20 anos não sobreviveu ao mal súbito após a maratona de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Esses eventos ressaltam um consenso entre médicos, atletas e organizadores: mesmo que o risco exista, ele pode ser reduzido com exames médicos adequados, treino gradual e atenção aos sinais do corpo.

O cardiologista Itamar Ribeiro alerta que o problema não é a corrida em si, mas a maneira como muitas pessoas iniciam essa atividade. Ele destaca que, embora a corrida traga diversos benefícios, é necessário ter cuidados básicos que muitas vezes são ignorados. “É fundamental fazer um check-up cardíaco para verificar se a pressão está normal e se há problemas estruturais no coração”, afirma.

Ribeiro também observa que muitos corredores não respeitam o tempo de adaptação do corpo. “Algumas pessoas começam a correr e logo querem fazer 5 km, depois 10 km e até 20 km em pouco tempo. Isso não é saudável, especialmente em pessoas mais velhas”, explica. O médico ressalta que exames cardíacos são essenciais antes de iniciar ou intensificar os treinos. Sintomas como cansaço excessivo devem ser levados a sério. “É preciso entender a origem desse cansaço; pode ser sinal de problemas cardíacos ocultos”, alerta. Entre os sinais que podem indicar um problema mais sério estão dores no peito, cansaço intenso e falta de ar. Para o médico, a prática de atividades físicas deve ser uma fonte de saúde, não de riscos.

Outro ponto crítico mencionado é o uso impróprio de estimulantes e suplementos que aumentam a frequência cardíaca. Quando associados ao esforço intenso e à desidratação, essas substâncias podem causar desmaios e mal-estar.

A ausência de sintomas não significa que não há risco, por isso um check-up é sempre recomendado. “Hoje temos ferramentas valiosas que podem detectar problemas mesmo em pacientes assintomáticos”, acrescenta o cardiologista.

Corredores também compartilham preocupações semelhantes. Isadora Santana, de 26 anos, começou a participar de provas neste ano e, embora nunca tenha presenciado um mal súbito, já ouviu relatos de colegas que passaram por essa situação durante corridas longas. Ela diz que os eventos recentes geram um sentimento de vulnerabilidade entre os atletas. “Isso nos faz refletir sobre a importância de cuidar do nosso corpo”, comenta.

Isadora enfatiza a importância de um check-up anual e considera a consulta ao cardiologista essencial desde que começou a correr. Ela procura respeitar seus limites, parando quando não se sente bem. “Se não estou me sentindo bem, prefiro descansar e não forçar”.

Enoque Freitas, também de 26 anos, decidiu se afastar das maratonas para focar em concursos públicos, mas corre ocasionalmente. Para ele, as notícias sobre mal súbito são um alerta de que muitos iniciantes não têm a preparação necessária. “Acredito que quem começa a correr sem acompanhamento médico pode enfrentar problemas sérios”, ressalta. Enoque já participou de provas de 21 km e fez exames como eletrocardiograma e teste de esteira para garantir que estava apto a treinar com segurança. “É importante se conhecer, treinar com cuidado e aumentar a carga gradativamente”.

Além da preparação dos corredores, a estrutura dos eventos é crucial para a segurança dos atletas. Gabriel Negreiros, diretor de uma empresa que organiza provas esportivas, destaca a necessidade de priorizar a saúde dos participantes. Ele afirma que, em suas corridas, são cumpridas e até ampliadas as exigências legais, com ambulâncias, motolâncias e equipes médicas disponíveis. No entanto, ele observa que não se pode culpar a modalidade pelos casos de morte: “Todos os registros recentes envolviam pessoas que já tinham problemas de saúde não identificados”.

Gabriel acredita que a frequência dos incidentes está relacionada ao aumento no número de atletas, que muitas vezes não tomam as precauções necessárias. “Muitas pessoas se esforçam além do que estão acostumadas e não realizam os exames necessários”, sugere. Ele orienta corredores a escolherem eventos organizados por profissionais que respeitam as normas e garantem uma estrutura adequada, além de respeitarem seus próprios limites. Segundo ele, superar limites é diferente de colocar o corpo em situações para as quais não se está preparado.

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