25/03/2026
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Mortes em corridas ressaltam a importância de cuidados de saúde

O número de pessoas praticando corrida de rua tem crescido no país, mas esse aumento vem acompanhado de um alerta importante: o registro de casos de mal súbito durante as competições. Recentemente, dois incidentes chamaram a atenção. Um empresário faleceu durante uma prova de 21 km em João Pessoa, na Paraíba, e um estudante de 20 anos não resistiu a um mal súbito após uma maratona em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Esses eventos trouxeram à tona uma discussão sobre os riscos envolvidos na prática da corrida.

Especialistas, atletas e organizadores concordam que, embora existam riscos, estes podem ser minimizados mediante cuidados certos. O cardiologista Itamar Ribeiro destaca que o problema não está na corrida em si, mas na maneira como muitas pessoas a iniciam. Ele enfatiza a importância de realizar um check-up cardiológico para avaliar a pressão arterial e verificar se há problemas cardíacos estruturais.

Ribeiro também observa que muitos corredores não respeitam o tempo de adaptação do corpo, insistindo em aumentar a carga de treino rapidamente. “Muitas vezes, uma pessoa que começou a correr quer fazer 5 km em dois meses, depois 10 km, 20 km… isso não é saudável, principalmente para quem tem mais idade”, explica.

Para o especialista, exames cardiológicos são essenciais antes de iniciar ou intensificar os treinos. Sintomas como cansaço excessivo devem ser levados a sério, pois podem sinalizar doenças cardíacas ocultas. Entre os sinais de alerta, ele lista dor no peito, cansaço extremo e falta de ar, lembrando que a atividade física deve trazer benefícios, e não riscos.

Outro fator preocupante é o uso inadequado de estimulantes e suplementos, que podem aumentar a frequência cardíaca. Esses, em combinação com o esforço intenso e a desidratação, podem resultar em mal-estar ou desmaios. Ribeiro adverte que mesmo na ausência de sintomas, é crucial realizar exames regulares: “Temos ferramentas que podem detectar problemas mesmo em pessoas assintomáticas”, destaca.

Entre os corredores, a preocupação é crescente. Isadora Santana, de 26 anos, começou a participar de competições este ano e já ouviu relatos de colegas que presenciaram mal súbito durante as provas. Mesmo sem ter vivido essa experiência, ela menciona um sentimento de vulnerabilidade em relação à saúde. Isadora enfatiza a importância de fazer check-ups anuais e diz que respeita seus limites durante as corridas: “Se não me sinto bem, paro e respiro. É melhor descansar do que forçar”.

Por outro lado, Enoque Freitas, também de 26 anos, decidiu se afastar das maratonas para se dedicar a concursos, mas corre ocasionalmente. Ele observa que muitas pessoas iniciam a corrida sem o devido preparo e acompanhamento médico. Enoque, que já correu provas de 21 km, fez eletrocardiograma e teste de esteira para garantir a segurança nos treinos. “Acho importante conhecer o próprio corpo e treinar de forma gradual”, sugere.

A organização de eventos esportivos também desempenha um papel fundamental na prevenção de incidentes. Gabriel Negreiros, diretor de uma empresa que promove tais eventos, reforça que a saúde dos atletas deve ser a prioridade em qualquer competição. Ele conta que, nas provas que organiza, são seguidas rigorosamente as diretrizes legais, com estruturas que incluem ambulâncias, postos médicos e equipes de emergência.

Negreiros destaca que a incidência de mortes em corridas de rua não é resultado de falta de atendimento ou negligência. Segundo ele, os casos registrados recentemente envolvem atletas que já possuíam problemas de saúde preexistentes não diagnosticados. Ele relaciona a frequência de acidentes à crescente participação nas corridas, onde nem todos seguem as orientações médicas adequadas.

Por fim, Gabriel recomenda que os corredores busquem eventos organizados por empresas que cumpram as normas de segurança e que respeitem seus próprios limites. “Superar desafios é diferente de colocar o corpo em situações que não está preparado para enfrentar”, conclui.

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