25/03/2026
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MP investiga Claudia Leitte por intolerância religiosa em canções

Intolerância religiosa em músicas: MP entra em ação contra Claudia Leitte

O Ministério Público da Bahia e o Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras ajuizaram uma ação civil coletiva contra a cantora Claudia Leitte. A ação, protocolada na 7ª Vara da Fazenda Pública de Salvador, alega que a artista tem praticado intolerância religiosa. Isto se dá pela alteração contínua de letras de músicas conhecidas do axé, substituindo referências a orixás por termos ligados ao cristianismo.

Entre os pedidos feitos na ação, está a condenação de Claudia Leitte ao pagamento de R$ 2 milhões por danos morais e a necessidade de uma retratação pública. Além disso, as entidades solicitam outras restrições relacionadas à sua atuação. Segundo os advogados responsáveis pela ação, mesmo após o início do processo, a cantora modificou uma música tradicional ao trocar o nome do orixá Ogum pela palavra “Yeshua”.

O Ministério Público e o Idafro afirmam que essa prática mostra desrespeito às religiões de matriz africana e contribui para um processo de esvaziamento simbólico de componentes centrais da cultura afro-brasileira. A polêmica envolvendo Claudia Leitte ocorreu no último verão, quando a artista alterou um verso da música “Caranguejo”, substituindo “saudando a rainha Iemanjá” por “eu canto meu rei Yeshua”.

Os promotores responsáveis pela ação, Lívia Maria Santana e Sant’Anna Vaz, da Promotoria de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, e Alan Cedraz Carneiro Santiago, promotor e coordenador do Núcleo de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural, também requerem que a cantora não possa mais realizar qualquer ato de discriminação religiosa em suas apresentações, entrevistas e redes sociais, nem alterar referências religiosas relacionadas à cultura afro-brasileira.

O processo ainda solicita uma medida cautelar, dada a reincidência da conduta da cantora, mesmo após a judicialização do caso. O documentação argumenta que as mudanças nas letras não podem ser consideradas como um exercício legítimo da liberdade artística ou religiosa, uma vez que as músicas modificadas fazem parte da memória coletiva e da identidade cultural da Bahia, além de estarem ligadas às religiões de matriz africana.

O texto ressalta que Claudia Leitte construiu sua carreira dentro desse contexto cultural, sem transitar formalmente para o segmento gospel, e mesmo assim decidiu alterar letras tradicionais, substituindo referências a orixás. A ação também menciona que as religiões afro-brasileiras são reconhecidas como patrimônio cultural imaterial pelo Supremo Tribunal Federal, o que implica em uma proteção especial do Estado, especialmente devido ao preconceito e estigmatização que enfrentam.

A assessoria da cantora foi procurada para comentar o assunto, mas ainda não houve retorno.

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