Um grupo de físicos da Universidade de Tampere criou um método inovador para detectar insuficiência cardíaca congestiva de forma mais simples e precisa do que se imaginava. Esse estudo envolve cardiologistas e físicos com formação em computação, e se baseia em descobertas anteriores sobre a previsão do risco de morte súbita por problemas cardíacos.
Os pesquisadores conseguiram um grande avanço no diagnóstico de doenças do coração. De acordo com a nova pesquisa, a insuficiência cardíaca congestiva pode ser identificada com confiança ao analisar os intervalos entre os batimentos cardíacos, conhecidos como intervalos inter-batimentos ou intervalos RR. Esses intervalos podem ser medidos não apenas com equipamentos profissionais, mas também com relógios inteligentes e monitores de frequência cardíaca.
O método novo se apoia em uma análise de séries temporais avançada, desenvolvida pelo grupo de pesquisa em Controle Quântico e Dinâmica, liderado pelo professor Esa Räsänen. Por meio dessa análise, é possível investigar as relações entre os intervalos inter-batimentos em diferentes escalas de tempo, além de outras características complexas típicas de várias doenças cardíacas.
Os cientistas analisaram bancos de dados internacionais que continham gravações eletrocardiográficas (ECG) de longo prazo, tanto de pessoas saudáveis quanto de pacientes com doenças cardíacas. O foco foi, especialmente, em diferenciar os pacientes com insuficiência cardíaca congestiva dos saudáveis e daqueles com fibrilação atrial. O novo método consegue detectar a insuficiência cardíaca congestiva com uma precisão de 90%, mostrando sua eficácia e confiabilidade como ferramenta de diagnóstico.
Monitoramento cardíaco mais acessível e barato
Atualmente, o diagnóstico de insuficiência cardíaca congestiva muitas vezes exige técnicas de imagem que são caras e demoradas, como a ecocardiografia, que é o ultrassom cardíaco. Detectar a insuficiência cardíaca baseada apenas nos intervalos inter-batimentos era muito difícil ou quase impossível em pacientes com ritmo sinusal regular. Por outro lado, a fibrilação atrial é bem mais fácil de identificar e já pode ser detectada por muitos dispositivos disponíveis no mercado.
O novo método oferece uma maneira mais fácil e econômica de fazer a triagem para insuficiência cardíaca congestiva, utilizando dispositivos de monitoramento de frequência cardíaca de uso geral e relógios inteligentes. Isso pode levar a uma detecção mais precoce de doenças cardíacas, melhorando assim o tratamento e o prognóstico dos pacientes.
“O novo método abre novas possibilidades para a saúde digital e o auto-monitoramento dos pacientes”, comenta Teemu Pukkila, o autor principal do estudo.
Ele ainda completa, “Nossas descobertas estão abrindo caminhos para a detecção precoce da insuficiência cardíaca congestiva usando equipamentos que já estão disponíveis no dia a dia, sem a necessidade de procedimentos diagnósticos complexos.” Jussi Hernesniemi, professor de cardiologia que participou da pesquisa e atua no Hospital cardíaco Tays, reforça essa afirmação.
Os métodos desenvolvidos pelo grupo de Controle Quântico e Dinâmica já foram utilizados para detectar casos de morte súbita cardíaca e para avaliar limites fisiológicos em esportes de endurance. O próximo passo dos pesquisadores é verificar os resultados com dados mais amplos e analisar como métodos semelhantes poderiam detectar com mais precisão outras doenças cardíacas.
Os resultados até agora são promissores, indicando que algoritmos avançados podem revolucionar tanto o diagnóstico quanto o tratamento de doenças do coração. Essa evolução na abordagem do monitoramento cardíaco é uma grande expectativa, mostrando que a tecnologia pode facilitar o acesso a diagnósticos precisos e rápidos, melhorando a qualidade de vida das pessoas.
Além disso, esse avanço na área da saúde digital possibilita que pacientes façam um monitoramento mais contínuo e eficaz de sua saúde, algo que pode ser feito diretamente de casa, aumentando a autonomia e o controle sobre as próprias condições de saúde.
Essas descobertas ainda destacam a importância da colaboração entre diferentes áreas do conhecimento, como a física e a medicina, para trazer soluções práticas e inovadoras para problemas de saúde que afetam milhões de pessoas ao redor do mundo. Assim, a pesquisa em Tampere? Taí um exemplo claro de como a ciência pode trabalhar a favor da saúde e bem-estar da população!
Esse tipo de tecnologia acessível pode mudar a vida de muitas pessoas, permitindo que elas monitorem sua saúde de forma mais eficaz e que médicos realizem diagnósticos com maior precisão. Em um futuro próximo, é possível que muitos pacientes consigam identificar precocemente problemas cardíacos com a ajuda de dispositivos que já têm em casa. Isso pode significar um enorme avanço na maneira como tratamos e prevenimos doenças cardíacas.
Os cientistas continuam a trabalhar para expandir e refinar esses métodos. Isso é fundamental para aumentar a confiabilidade das detecções e, consequentemente, melhorar o tratamento das doenças. As possibilidades são muitas, e os próximos passos prometem movimentos significativos na luta contra as condições que afetam a saúde do coração.